Analfabetismo e exclusão

No Québec (Canadá) o analfabetismo é um problema que afeta mais de um milhão de pessoas e que tem o efeito de excluir uma grande parte da população da vida social, cultural, política e económica.

O RGPAQ - Regroupement des groupes populaires en alphabétisation du Québec  (Agrupamento de grupos populares de alfabetização do Québec) representa 80 grupos membros distribuídos por todo Québec. Estes grupos trabalham para melhorar as condições de vida das pessoas com baixas competências de literacia através da aprendizagem da leitura, escrita e aritmética. Esta é uma abordagem que se designa de "alfabetização de conscientização" ou " alfabetização popular ".

O RGPAQ - Regroupement des groupes populaires en alphabétisation du Québec (Agrupamento de grupos populares de alfabetização do Québec) tem como missão:

- A promoção, defesa e desenvolvimento da alfabetização popular e de grupos populares de alfabetização;

- A defesa coletiva dos direitos das pessoas lesadas devido ao seu nível de literacia.

O que faz o RGPAQ?

O Agrupamento de Grupos Populares de Alfabetização no Québec (RGPAQ) representa 80 grupos membros distribuídos por todo Québec. Estes grupos trabalham para melhorar as condições de vida das pessoas com baixas competências de literacia através da aprendizagem da leitura, escrita e aritmética. Esta é uma abordagem que se designa de "alfabetização de conscientização" ou "alfabetização popular".

O RGPAQ luta pela defesa dos direitos das pessoas com um baixo nível de literacia assim como por um financiamento adequado para os grupos de alfabetização popular.

Além disso, oferece aos seus membros um programa de formação adaptado às suas necessidades e preocupações.

Analfabetismo e exclusão

Num mundo onde a leitura e a escrita são ferramentas essenciais para sobreviver na sociedade atual, a impossibilidade de dominar o código escrito tem implicações devastadoras.

Assim, para uma pessoa analfabeta:

- Ter necessidade de ajuda para ler a sua correspondência ou para preencher um pedido de emprego é privá-la da sua autonomia;

- Não procurar um trabalho melhor por medo de enfrentar o desconhecido, é privá-la da sua liberdade;

- Não ter acesso a informações sobre os serviços básicos, tais como pensões, anuidades, saúde ou assistência social, é privá-la dos seus direitos como contribuinte;

- Estar limitada no exercício dos seus direitos fundamentais, como o direito à educação e ao trabalho, é privá-la de uma distribuição justa e equitativa das oportunidades e riquezas;

- Não poder exercer o seu direito de voto com todos os conhecimentos de causa é privá-la do seu direito como cidadão;

- Não ser capaz de ler a posologia de um medicamento ou de se alimentar saudavelmente, é desprovê-la da sua própria saúde;

- Não poder ajudar seus filhos na aprendizagem escolar é privá-la de uma parte do seu papel como pai;

- Etc.

De desapropriação em desapropriação, as pessoas analfabetas tornam-se um pouco como fantasmas sociais. Como consomem pouco, não são solicitadas. Como votam pouco, não lhes prometem nada. Como se revoltam pouco, não se lhes dá nada. Tornam-se assim, pouco a pouco, excluídas de todos os aspetos da vida social, cultural, económica e política, e num certo sentido delas próprias.

No entanto, a exclusão de uma grande parte da população não é um fato incontornável da vida em sociedade, mas o resultado de uma vontade deliberada de perpetuar um modelo social baseado na exploração e na desigualdade.

Declaração de Princípios RGPAQ

Preâmbulo:

Tendo em conta que o analfabetismo é um problema que afeta mais de um milhão de pessoas no Québec, com o efeito de excluir uma grande parte da população da vida social, cultural, política e económica.

Tendo em conta que existe uma relação entre o analfabetismo e a pobreza, e que a maioria das pessoas analfabetas vem de meios desfavorecidos.

Tendo em conta que o sistema de ensino, apesar das muitas reformas, continua a deixar que milhares de pessoas saiam da escola sem dominar a leitura e a escrita.

Tendo em conta que o Estado investe somas irrisórias na alfabetização popular, apesar das necessidades expressas e do número de pessoas desejosas de participar.

Tendo em conta que todos têm o direito inalienável à educação.

Consideramos que o analfabetismo, nas suas causas, consequências e resolução, é à partida e antes de tudo um problema social que tem repercussões nos indivíduos.

Por conseguinte, enquanto movimento de transformação social, a alfabetização popular tem a obrigação de prevenir e combater as desigualdades sociais, com o objetivo de construir uma sociedade mais justa e equitativa. As pessoas analfabetas devem estar no centro dessa luta.

Assim, para orientar a nossa ação, nós aderimos aos seguintes princípios:

Princípio 1:

A alfabetização popular faz da aprendizagem da leitura, escrita e aritmética uma ferramenta de expressão social, de tomar a palavra, de ter poder sobre a sua vida, o seu ambiente e o seu envolvimento.

Princípio 2:

A alfabetização popular caracteriza-se pelo poder que os participantes têm dentro dos grupos e pela sua participação na tomada de decisões.

Princípio 3:

A alfabetização popular é uma abordagem coletiva no âmbito do qual o indivíduo se integra numa caminhada de grupo, o que lhe permite ganhar um sentido de pertença, de levar a cabo projetos e de avançar reivindicações.

Princípio 4:

A alfabetização popular, tem em conta as realidades da vida quotidiana das participantes e dos participantes.

Princípio 5:

A alfabetização popular, visa toda a população, e especialmente, os mais desfavorecidos.

Princípio 6:

A alfabetização popular visa dar a conhecer e reconhecer as realidades e os saberes dos meios populares.

Princípio 7:

A alfabetização popular, implica a consciencialização: a tomada de consciência coletiva das diferentes realidades da sociedade, o desenvolvimento de uma análise crítica e política, com passagem à ação com um objetivo de transformação social.

Princípio 8:

A alfabetização popular, desperta uma responsabilização coletiva do meio ambiente numa perspetiva de transformação social.

Princípio 9:

A alfabetização popular, defende os direitos das pessoas analfabetas.

Princípio 10:

A alfabetização popular sensibiliza a sociedade para as realidades relacionadas com a problemática do analfabetismo.

Princípio 11:

A alfabetização popular, implica a construção de alianças para que as realidades vividas pelas pessoas analfabetas sejam integradas num discurso mais amplo.

Princípio 12:

Um grupo popular de alfabetização tem em conta as necessidades e expectativas das pessoas analfabetas.

Princípio 13:

Um grupo popular de alfabetização é autónomo nos planos político, pedagógico e administrativo.

Princípio 14:

Um grupo popular de alfabetização é acessível e ativo na comunidade.

Princípio 15:

Um grupo popular de alfabetização tem uma abordagem e estruturas democráticas que favorecem a participação de todos os seus membros.

Princípio 16:

Um grupo popular de alfabetização oferece aos seus trabalhadores e trabalhadoras condições que reconhecem o valor do trabalho realizado.

Princípio 17:

Um grupo popular de alfabetização aplica os princípios da alfabetização popular.

Site do RGPAQ Regroupement des groupes populaires en alphabétisation du Québec: http://www.rgpaq.qc.ca/

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