Aprendizagem no Local de Trabalho

A aprendizagem no local de trabalho é uma parte importante da aprendizagem ao longo da vida. É uma ótima ferramenta para desenvolver os trabalhadores e manter a sua eficácia. Pode assumir modos formais, não formais e informais, mas um estudo (6th Annual Learning in the Workplace Survey: Results ) mostra que as três formas mais importantes de aprendizagem no local de trabalho, de acordo com os funcionários, são: partilha de conhecimento com a sua equipa, pesquisa e conversas gerais e reuniões.

Este é foco de agosto da EPALE -  Plataforma Eletrónica para a Educação de Adultos na Europa.

Divulgamos aqui no nosso site o texto em português de Simon Broek publicado na plataforma EPALE – “Riscos societais associados a esquemas de aprendizagem baseados no trabalho”.

Pode consultar a página temática da EPALE sobre Aprendizagem no Local de Trabalho, onde a comunidade e as equipas nacionais da EPALE reuniram artigos interessantes de blogs, recursos úteis e notícias sobre o tema (o conteúdo varia de acordo com o idioma selecionado). Não se esqueça de visitar EPALE regularmente para novos conteúdos em agosto!

Riscos societais associados a esquemas de aprendizagem baseados no trabalho

Nos últimos anos tem sido dada muita ênfase à aprendizagem baseada no trabalho em todas as suas formas. Referimo-nos a estágios inseridos na formação, estágios internos e voluntariado. Essas formas de desenvolvimento de competências são vistas como passos importantes para pessoas jovens e mais velhas para se (re)envolverem com o mercado de trabalho e a sociedade. Neste post, discuto os resultados de um estudo do Parlamento Europeu em que participei, e reflito sobre um aspeto específico – que existem riscos societais associados a alguns dos esquemas de aprendizagem baseados no trabalho.

Jovens “com os pés” no emprego

Em comparação com os trabalhadores adultos que já se estabeleceram no mercado de trabalho, os jovens são mais sensíveis aos ciclos profissionais e às crises económicas periódicas por várias razões, tais como:

- Falta de experiência profissional

- Educação incompleta

- Contratos de trabalho mais precários

- Poucos contatos para pesquisas de emprego (ou seja, menos capital social)

- Menor probabilidade de possuir as capacidades que os empregadores procuram.

Quando os jovens não conseguem fazer uma transição relativamente rápida para o mercado de trabalho depois de concluírem os seus estudos, isso pode inibir a acumulação do capital humano, social e económico que os ajudaria a desenvolver as suas carreiras; e quanto maior for o período de desvinculação do mercado de trabalho (ou educação), maior o risco de exclusão social e económica.

Jovens com múltiplas desvantagens, como possuir uma deficiência, ser um migrante e/ou ter um baixo nível de escolaridade, enfrentam dificuldades particulares na entrada no mercado de trabalho. Podem estar particularmente em risco de exclusão social e económica.

A aprendizagem baseada no trabalho é uma solução?

A aprendizagem baseada no trabalho e, em particular, estágios académicos/ profissionais e voluntariado, podem ter um papel importante em facilitar a transição da escola para o trabalho. A investigação mostra que, tanto em termos de competências e capacidades adquiridas como em termos de emprego, a aprendizagem baseada no trabalho na forma de estágios académicos/profissionais e voluntariado proporcionam um caminho que facilita a transição do mundo da educação para o mundo do trabalho.

A investigação mostra que a qualidade da aprendizagem baseada no trabalho é melhor assegurada quando se envolvem terceiros, além do aluno e da empresa (local de aprendizagem). Isso pode ser uma instituição de educação e formação profissional escolar (geralmente em estágios académicos) ou o serviço público de emprego (algumas formas de estágios profissionais). No entanto, existem muitos outros esquemas de formação/estágios e de voluntariado que se baseiam num acordo contratual entre o interno/voluntário e a empresa/organização e, nesses casos, é menor a preparação relativa à qualidade do "ambiente de trabalho" e à qualidade da aprendizagem.

Deslocando custos para o desenvolvimento de competências do governo, para os empregadores, para o indivíduo

As evidências mostram que esses esquemas exigem um ponto de partida benéfico para os estagiários e voluntários; eles precisam de ser capazes de cobrir as suas despesas diárias enquanto realizam trabalho não remunerado. Como os estagiários geralmente não são pagos ou são mal pagos, a externalização dos custos para o desenvolvimento de competências numa determinada ocupação muda dos provedores de educação, para os empregadores e, finalmente, para o indivíduo. Para obter as competências, o mercado de trabalho pretende que o indivíduo seja pressionado a fazer o investimento nessas competências, na ausência de outras formas de as adquirir. Os investimentos dizem respeito a trabalhar na organização e contribuir para a produtividade e cobrir os custos de vida por outros meios, que não sejam os salários das remunerações. Em relação ao voluntariado, uma mudança semelhante pode ser vista em estágios internos onde os custos com o desenvolvimento de competências são suportados pelos indivíduos, uma vez que não são previstos pagamentos ou remunerações.

Aprendizagem baseada em trabalho acessível a todos?

A mudança em quem é responsável por cobrir os custos do desenvolvimento de competências vem com um preço: o desenvolvimento de competências está a tornar-se menos acessível a pessoas de origens economicamente menos favorecidas. Embora o desenvolvimento de competências sob a forma de estágios académicos/profissionais seja um passo importante no emprego, as pessoas com menores meios financeiros enfrentam mais dificuldades em entrar no mercado de trabalho. As pessoas que têm capacidade de autofinanciar os seus custos de vida por um período de tempo têm uma melhor oportunidade de assumir voluntariado e estágios e, assim, serem mais atrativos para os empregadores.

Embora os sistemas educativos na Europa se esforcem pela igualdade de acesso, estamos perante o facto de que a transição do mundo da educação para o mundo do trabalho está a proporcionar melhores oportunidades para aqueles que têm meios para se envolver em estágios e esquemas de voluntariado.

Para concluir, tanto para estágios como para voluntariado, é verdade que, embora estes esquemas não estejam igualmente disponíveis para todos os jovens (devido a desigualdades de rendimento), os decisores políticos devem ter cuidado ao posicioná-los como uma solução sistemática para combater o jovem desemprego e para facilitar a transição para o mercado de trabalho.

Esses riscos societais precisam de ser considerados quando se pensa em iniciativas de estágios e de voluntariado, como o recém-lançado Corpo Europeu de Solidariedade

Este texto foi escrito por Simon Broek que é Managing Partner at Ockham Institute of Policy Support e esteve envolvido em vários projetos de investigação europeus sobre educação, questões do mercado de trabalho e negócios de seguros.

Pode ler este texto em inglês ou francês aqui

Em https://ec.europa.eu/epale/en/blog/societal-risks-associated-work-based-learning-schemes

Mais informação sobre o tema de agosto da EPALE aqui: https://ec.europa.eu/epale/en/blog/epale-focus-workplace-learning-1

Pode aceder à EPALE em português aqui: https://ec.europa.eu/epale/pt

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