Distrito de Setúbal conta ainda com 37 mil Analfabetos

No início da década de oitenta mais de cem mil habitantes do distrito não sabia ler nem escrever. Hoje ainda se regista cerca de 37 mil, número considerado elevado tendo em conta as mudanças entretanto operadas no país. A maior parte desta iliteracia está radicada nas faixas etárias mais idosas, mas há também muitos casos de jovens, com abandono escolar primário.

Este é o tema do artigo que foi publicado sábado passado (8/7) no Jornal Semmais que é distribuído com o Jornal Expresso no distrito de Setúbal.

Nas últimas décadas, os avanços e as mudanças foram muito significativas, mas os números da iliteracia no distrito continuam muito robustos para o século da ultra-modernidade, um dos mais altos do país. E há ainda analfabetismo em faixas etárias mais jovens.

No início da década de 80 eram 101.295 os habitantes do distrito que não sabiam ler. Hoje são menos de 37 mil, mas a região continua a ter um longo caminho a percorrer na área do ensino, estando neste momento a contribuir para que Portugal continue no topo da tabela dos países europeus com maior taxa de analfabetismo.

Os números são revelados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), baseados no Censos de 2011. A maioria dos analfabetos está entre a população mais idosa, que vive em zonas mais rurais do distrito. Mas existem outros que ainda estão em idade ativa, entre os 18 e os 65 anos.

Por sexos, a década de 80 ilustrava bem as dificuldades das mulheres no acesso aos estudos. Mais de 63 mil eram analfabetas, havendo elevadas taxas mesmo em cidades de maior dimensão. Almada chegava às 9797, Setúbal às 8112 e o Seixal atingia as 4895. Palmela, um meio mais mais rural, tinham uma taxa de analfabetismo feminino de 4935. Na maioria do concelhos do distrito a tendência indicava que por casa duas mulheres analfabetas existia um homem que não sabia ler nem escrever.

Até aos dias de hoje o quadro melhorou substancialmente, apesar do atraso em relação à média europeia, mas o analfabetismo continua a atingir, sobretudo os mulheres, com um total de 25618, enquanto a taxa entre os homens está fixada nos 8 mil.

Décadas a combater iliteracia e abandono

Desde a década de 70 que a situação foi melhorando com campanhas de educação para adultos, a telescola a chegar às aldeias mais remotas, a redução do abandono escolar e o aumento da escolaridade obrigatória.

É que em 1960 eram 258801 pessoas que possuíam algum nível de escolaridade no distrito, contra 162634 que nunca tinham ido à escola. Em 1981, as aulas passavam a ser frequentadas por 437507 alunos da região. Hoje há 655609 pessoas com escolaridade. Curiosa é ainda a evolução do básico, que passou dos 84268 de 1960, para os 183339, em 1981 e 157258 em 2011, o que justifica aumento no ensino nos ciclos seguintes. Por exemplo, em 1981, 42383 pessoas completavam o terceiro ciclo, que hoje faz parte do certificado e habilitações de 143807 habitantes.

Apesar da evolução alcançada pela região, que permitiu melhorar as habilitações literárias aos residentes, ao longo dos últimos 50 anos, os Censos ainda encontraram 52644 habitantes sem qualquer nível de escolaridade. Nada comparado, ainda assim, com os resultados obtidos em 1981, quando 127977 pessoas nunca tinham ido à escola, ou com a realidade de 1960 em que as aulas eram miragem para 162634 cidadãos do distrito de Setúbal.

Entre a população que apresenta nível de escolaridade, contam-se 157258 com o ensino básico, 75857 com segundo ciclo, 143807 com terceiro e 124961 com secundário completo, enquanto 93425 exibe curso superior no certificado de habilitações. Grandes melhorias face aos dados apurados em 1960, quando apenas 900 residentes terminaram o ensino universitário, aumentando para os 6860 20 anos depois. Em 2001 o distrito de Setúbal já contava 47725 licenciados.

De resto, um dado curioso deste estudo indica que há 50 anos, apenas 0,3% dos residentes chegaram ao ensino superior. Hoje esse valor supera os 10% da população. O INE alerta para as «duas variáveis» que nos últimos dez anos representaram uma «evolução mais rápida do que era previsto», sobretudo no ensino superior. Numa espécie de anúncio de uma boa e de uma má notícia, é preciso enquadrar aqui o envelhecimento da população e o aumento do nível de escolaridade.

Texto Roberto Dores

Imagem SM

Pode ler o artigo aqui: https://issuu.com/semmaisjornal5/docs/semmais_08_julho_2017

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