Dar Voz aos Adultos Aprendentes PDF Imprimir e-mail
26-Abr-2009
Andreia MonteiroAs energias para trabalhar, o desejo de crescer e de aprender não preconizavam os longos dias que se avizinhavam, longos não por serem desinteressantes ou fúteis, mas por serem dias onde “coube uma imensidão” de saberes, conhecimentos, cultura, beleza, alegria, convívio e sim, de alguns momentos estratégicos para nos “refrescarmos”. Fui a Edimburgo participar em mais uma Conferência Pan-Europeia de preparação para a CONFINTEA VI.

Após as peripécias da chegada, como exige uma boa viagem, tive a oportunidade de jantar na sala onde decorria o Workshop de Samba. A ideia deste momento é “quebrar o gelo” entre os participantes e, de uma forma criativa e divertida, promover o conhecimento entre todos. Sou então “brindada” com a célebre pergunta que marcou estes dias “És profissional ou Aprendente?”, colocando assim a descoberto o principal objectivo desta Conferência: em conjunto, partindo de diferentes experiências e de diferentes países, entre profissionais e adultos aprendentes, elaborar um esboço do que se pretende apresentar e discutir no CONFITEA VI relativo a, “Como dar Voz aos Adultos Aprendentes?”. Este é um grande passo. Mas, mais do que dar espaço e tempo para que profissionais e organizações de todo o Mundo tentem demonstrar a relevância e pertinência da Aprendizagem ao Longo da Vida e da Educação de Adultos no Mundo Globalizante, é dar Voz aos próprios Adultos Aprendentes. O primeiro dia é então marcado pelo intercâmbio entre todos os participantes, construindo assim o meio de partilha e de trabalho conjunto que se avizinhava…

Em espanhol, francês ou inglês, e até ocasionalmente em italiano por uma romena, pude constatar as diferenças e semelhanças entre as intervenções neste âmbito, por parte dos países presentes. Pude ainda constatar o potencial existente para o estabelecimento de parcerias e de cooperação transnacional, que não se restringe meramente à lógica de partilha entre profissionais ou a experiência de promover um projecto em conjunto. Sente-se um potencial para que, em conjunto, unidos e com força, organizações, profissionais e aprendentes sejam capazes de fazer chegar ao poder político a sua voz sobre a relevância da aprendizagem ao longo da vida e da educação de adultos. Uma voz que esteja presente, não só no CONFITEA VI, que decorrerá em Maio deste ano em Belém - Brasil, mas que consiga ir além desse evento, deste país, deste momento, que vá além da mera expansão do nosso centro de “preocupação”, permitindo-nos aceder, de forma mais eficaz e profunda, ao centro de influência, para o efectivo reconhecimento e valorização da aprendizagem ao longo da vida e a educação de adultos. Um reconhecimento e uma valorização que nos permitam, não só cumprir números ou obter estatísticas menos deprimentes, mas também que, sem constrangimentos, através de uma rede de cooperação entre organizações privadas e públicas, nacionais e/ou internacionais, apostemos, promovamos e invistamos em projectos integrados, criativos, inovadores e que correspondam às efectivas necessidades dos aprendentes. Criatividade, inovação, cooperação e integração, quatro conceitos-chave que tantas e tantas vezes são utilizados de forma leve, sem contudo os compreenderem, abraçarem, reconhecerem e defenderem de forma efectiva e real. Serão apenas palavras mágicas para que se faça de um projecto algo digno de ser reconhecido por terceiros, até ao ponto de ser atribuído um prémio de “Boas Práticas”?
Foram dias ricos os que se viveram na Escócia. Para além de toda a componente cultural com visitas por Edimburgo, tivemos a oportunidade de escutar opiniões, testemunhos e ideias úteis para que continuemos a trilhar este percurso. Destes dias resultou um pequeno esboço do documento a apresentar no CONFITEA VI, do qual constam propostas relativas a questões políticas, direito ao acesso e participação, questões basilares de orientação e suporte da oferta educativa/formativa, recursos necessários, premência na aposta e garante da qualidade e da inovação, contando sempre com a participação dos próprios Adultos Aprendentes.

Andreia Monteiro - Coordenadora Área de Desenvolvimento de Educação e Formação de Adultos da ANOP - Associação Nacional de Oficinas de Projectos

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