Aprendizagem dos Adultos e Desenvolvimento da Carreira

A aprendizagem de adultos e a progressão na carreira mostram um quadro muito desigual quando se trata da diferença entre pessoal com baixas qualificações e os melhor qualificados. Aqueles que têm menos qualificação recebem menos formação na carreira, são mais vulneráveis a ficar desempregados, têm menos meios para financiar uma formação adicional e, muitas vezes, têm que cofinanciar a solução de aptidões deficitárias para se integrarem novamente no mercado de trabalho.

A aprendizagem de adultos e o desenvolvimento da carreira parecem, portanto, reforçar a desigualdade em vez de resolvê-la!

Como podemos melhorar esta situação? E será que existem bons exemplos de políticas que tornem a aprendizagem dos adultos e o desenvolvimento de carreiras um casamento feliz também para os que têm menores qualificações?

Este é o tema da EPALE - Plataforma Eletrónica para a Educação de Adultos na Europa para o mês de novembro onde pode encontrar artigos interessantes, recursos úteis e estudos de caso sobre o tema.

Amanhã (dia 22/11 – quinta-feira) pode participar da discussão ao vivo da EPALE sobre o papel da aprendizagem de adultos para ajudar no desenvolvimento da carreira. A discussão será em inglês e será moderada pelo coordenador temático da EPALE, David Mallows.

Aqui, na Aprender, divulgamos em português um texto de Simon Broek onde ele partilha o que pensa sobre o papel da aprendizagem de adultos no desenvolvimento de uma carreira.

Reflexões sobre a aprendizagem de adultos e o desenvolvimento da carreira

O coordenador temático da EPALE Simon Broek partilha o que pensa sobre o papel da aprendizagem de adultos no desenvolvimento de uma carreira.

Estamos cientes de que, atualmente, os empregados não têm o mesmo emprego com o mesmo empregador durante toda a sua vida profissional. Além disso, com o ritmo acelerado dos desenvolvimentos (tecnológicos), as pessoas não podem confiar apenas nos conhecimentos, aptidões e competências adquiridas na escolaridade inicial.

Por conseguinte, para funcionar na sociedade e no trabalho, todos precisamos de uma atualização regular dos nossos conhecimentos, aptidões e competências. Neste post gostaria de explorar esta questão e discutir a aprendizagem de adultos e o desenvolvimento da carreira.

Baixa qualificação e o desenvolvimento numa carreira

Em geral, a aprendizagem de adultos dentro das carreiras surge em duas circunstâncias:

1. Quando algo corre mal numa carreira e há algum tipo de aptidões deficitárias. A pessoa fica desempregada e precisa de formação na procura de emprego, atualização das suas competências informáticas ou fazer uma nova formação para outros trabalhos.

2. Quando corre bem numa carreira e o empregador investe no desenvolvimento de competências da sua equipa para permanecer – como empresa – atualizada no mercado competitivo.

Geralmente, os investimentos no segundo caso são muito mais elevados em comparação com os do primeiro. Além disso, a fonte é muito diferente. Enquanto no segundo, a principal fonte são os empregadores; no primeiro caso, os indivíduos e o governo (através dos serviços públicos de emprego) são responsáveis por cobrir os custos.

Além disso, quando se trata da segunda circunstância, há uma diferença entre pessoal de baixa e média vs alta qualificação: a equipa altamente qualificada recebe geralmente mais formação relacionada com a carreira em comparação com os que têm qualificação baixa. Se isso não é suficiente para a desigualdade, aqueles que são altamente qualificados têm geralmente mais meios para se envolver em percursos de aprendizagem auto-orientados (por exemplo, fazendo um programa educacional adicional) e estão, portanto, mais bem equipados quando alguma coisa corre mal nas suas carreiras.

A aprendizagem de adultos e a progressão na carreira mostram, portanto, um quadro muito desigual quando se trata da diferença entre pessoal com baixas qualificações e os melhor qualificados. Aqueles que são menos qualificados recebem menos formação na carreira, são mais vulneráveis a ficar desempregados, têm menos meios para financiar uma formação adicional e, muitas vezes, têm que cofinanciar a solução de aptidões deficitárias para se integrarem novamente no mercado de trabalho.

A aprendizagem de adultos e o desenvolvimento da carreira parecem, portanto, reforçar a desigualdade em vez de resolvê-la!

Isso levanta a questão:

Como podemos melhorar esta situação e será que existem bons exemplos de políticas que tornem a aprendizagem dos adultos e o desenvolvimento de carreiras um casamento feliz também para os que têm menores qualificações?

É essencial que, para todos os funcionários, o ambiente de trabalho seja também um ambiente de aprendizagem. Isso significa que devem existir incentivos para aprender (por exemplo, possibilidades de progressão na carreira), que sejam oferecidas possibilidades de aprendizagem (cursos, intercâmbios não formais) e, finalmente, que as tarefas de trabalho incentivem os funcionários a continuar a aprender. Este último aspeto aponta para a questão de que trabalhadores com baixas qualificações são frequentemente enquadrados em trabalhos que apresentam um número limitado de tarefas e que são bastante repetitivos, não os estimulando a aprender novas competências.

Isso significa que, do ponto de vista do empregador, deve ser dada mais atenção para encarar o funcionário como uma pessoa completa que precisa de ser intelectualmente estimulada durante o trabalho e menos como uma entidade com a qual eles trocam serviços por dinheiro.

Do ponto de vista do governo, isso significa que precisam de investir mais na prevenção de competências deficitárias do que na sua reparação quando as pessoas ficam desempregadas. Isso pode ser feito apoiando os empregadores na criação de ambientes de aprendizagem e proporcionando aos funcionários check-ups regulares da carreira e de competências.

Exemplo na Holanda: aconselhamento sobre o desenvolvimento e desenvolvimento ao longo da vida

Na Holanda estão a decorrer experiências com aconselhamento sobre o desenvolvimento para trabalhadores com mais de 45 anos de idade (Tijdelijke Subsidieregeling Ontwikkeladvies Vijfenveertigplussers). A experiência leva em conta tanto o apoio às empresas (e aos seus gestores) no estabelecimento de um ambiente mais favorável à aprendizagem e ao desenvolvimento de carreira para os funcionários, e a disponibilização de check-ups para os funcionários. Mediante solicitação, os funcionários recebem um subsídio para se envolver no aconselhamento (600 EUR) e os gestores podem receber um subsídio para formação adicional (300 EUR) para apoiar os funcionários na sua orientação e desenvolvimento de carreira.

A experiência decorre até julho de 2019 por isso ainda temos de esperar pelos resultados e lições aprendidas.

Os desenvolvimentos políticos, felizmente, não esperam pela avaliação. Recentemente, foi publicada uma nova política do governo dedicada ao Desenvolvimento ao Longo da Vida (Leven Lang Ontwikkelen). Esta política afirma claramente que precisa ser desenvolvida uma cultura de aprendizagem positiva e forte, na qual todos sejam estimulados e apoiados para se apropriarem de seu próprio desenvolvimento de aprendizagem, especialmente aqueles que são mais vulneráveis. Leia mais sobre esta política (em holandês).

Existem políticas semelhantes nos vossos países que abordam esse problema? Partilhe nos comentários nesta página: https://ec.europa.eu/epale/en/blog/reflections-adult-learning-and-career-development !

Simon Broek esteve envolvido em vários projetos de pesquisa europeus sobre educação, questões do mercado de trabalho e negócios de seguros. Aconselhou a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e Agências Europeias em questões relacionadas com políticas educacionais, aprendizagem ao longo da vida e questões do mercado de trabalho, e é Managing Partner do Ockham Institute of Policy Support.

 

Confira a página temática da EPALE Career-long professional learning (Aprendizagem em carreira profissional longa) onde a comunidade e as equipas nacionais reuniram artigos interessantes, recursos úteis e estudos de caso sobre o tema (o conteúdo varia de acordo com a sua preferência de idioma).

Participe da discussão ao vivo da EPALE sobre o papel da aprendizagem de adultos para ajudar no desenvolvimento da carreira. A discussão será dia 22 de novembro de 2018.em inglês, moderado pelo coordenador temático da EPALE, David Mallows e terá lugar nesta página:

https://ec.europa.eu/epale/en/discussions/role-adult-learning-helping-career-development

 

Pode ouvir um podcast sobre o papel Aprendizagem dos adultos e o desenvolvimento da carreira em que os coordenadores temáticos da EPALE David Mallows, Gina Ebner, e Simon Broek discutem as seguintes questões:

1. Como vê a relação entre a aprendizagem de adultos e o desenvolvimento da carreira? Como podemos quebrar este círculo vicioso e fazer com que aqueles que mais precisam se tornem mais importantes na aprendizagem de adultos?

2. O que é precisa acontecer para se criar uma cultura de aprendizagem na sociedade e nas empresas?

1. How do you see the relationship between adult learning and career development? How can we break this vicious circle and get those who need it the most more prominent in adult learning?

2. What needs to happen to create a learning culture within society and within companies?

Ouvir o podcast aqui: https://ec.europa.eu/epale/node/87050

Informação em: https://ec.europa.eu/epale/node/84321

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