A Educação de Adultos numa Encruzilhada - Aprender a nossa saÃda
Capa do Livro
De facto, os autores articulam a sua argumentação sobre possibilidades de saÃda para a encruzilhada em que a educação de adultos está na presente década e fazem-no adoptando princÃpios da sua leitura de Ivan Illich.
Mas existe uma preocupação pedagógica nesta obra já que o livro revê na 1ª Parte, de uma forma sintética mas bastante completa, as principais tradições históricas da educação de adultos – educação e desenvolvimento (pela mão da UNESCO), pragmatismo (de Dewey a Mesirow), humanismo (essencialmente com Rogers) e educação de adultos marxista (em Paulo Freire).
Esta parte da obra tem um tom pedagógico muito claro e constitui uma referência importante para uma entrada em diversos aspectos da problemática da educação de adultos numa perspectiva histórica.
Já na 2ª Parte – que intitulam Encruzilhadas e Becos sem SaÃda – os autores colocam em foco o contexto sócio-económico e polÃtico actual argumentando sobre as causas das formas actuais de entendimento da educação de adultos na generalidade dos paÃses (mas muito especialmente nos paÃses ocidentais).
Os cenários apresentados baseiam-se na constatação da naturalização da ‘linguagem da aprendizagem’ e, assim, da sua integração no reportório da mercantilização da educação de adultos vincando a sua instrumentalização como estreitamente ligada à ‘economização’ da vida social. Esta análise lúcida e clara termina com a questão ‘impasse ou responsabilidade social?’ que abre o terreno para a 3ª Parte do livro. E é aqui que os autores discutem em pormenor as possÃveis saÃdas para esta encruzilhada e é também aqui que é mais claro o seu discurso sobre o primado da aprendizagem e os problemas actuais da educação de adultos. Aliás deve notar-se a preocupação de colocar a necessidade de ‘aprender uma saÃda’ que os autores se recusam a apontar explicitamente denotando deste modo uma coerência firme com os princÃpios que subscrevem a partir de Illich. Adoptando uma posição a partir de Illich contra a institucionalização das ‘coisas’, isto é, da vida no mundo social, os autores reclamam a necessidade de uma tripla dimensão – a consciencialização, a clarificação conceptual e a prática (esta desenvolvida no quadro da Investigação-Acção Participativa). Esta última parte do livro traz ao de cima formas como se pode entender o contributo de Illich para a educação de adultos e deve sublinhar-se a forma estimulante como os autores o fazem provocando no leitor uma reflexão e uma visão holÃstica da educação de adultos e da educação em geral. Os autores terminam questionando-se de novo acerca de como aprender caminhos de saÃda das encruzilhadas múltiplas e complexas em que a sociedade se está a atolar: como combinar a educação de adultos com a mudança organizacional e a desinstitucionalização? Como reconduzir a educação de adultos à sua perspectiva de acção e mudança social, agora no contexto de um processo de desenvolvimento industrial cada vez mais destrutivo?
Finalmente é justo referir a excelente adaptação do texto para Português a partir da versão inglesa.
Recensão de João Filipe Matos
