Os Museus como espaços de Aprendizagem ao Longo da Vida
Os museus sendo locais de aprendizagem informal para pessoas de todas idades, de todos os níveis escolares e de todo o tipo de interesses, podem desenvolver atividades educativas que ultrapassem os serviços prestados às crianças e aos jovens integrados no sistema escolar.
A propósito de um texto sobre o papel dos museus na aprendizagem ao longo da vida na Europa publicado na EPALE (Plataforma eletrónica para a educação de adultos na Europa), divulgamos a publicação “Museus e Público Sénior em Portugal - Perceções, Utilizações, Recomendações” editada pela Fundação Gulbenkian em 2013 e relembramos o texto “Museus e Educação de Adultos em Portugal: Tendências e Práticas” de Clara Frayão Camacho, atual presidente da assembleia-geral do ICOM Portugal, que foi publicado no segundo número da revista “Aprender ao Longo da Vida”.
Artigo publicado na EPALE (Plataforma eletrónica para a educação de adultos na Europa e escrito por Henrik Zipline, Doutorado e Professor visitante em aprendizagem do património na Universidade de Linköping, e também Diretor Executivo da Fundação Jamtli na Suécia e).
Porque são os museus ambientes de aprendizagem válidos
A Europa tem mais de 10000 museus com técnicos profissionais e ainda mais museus geridos por voluntários. Tanto podem ser públicos como privados, mas partilham a missão de recolha e de preservação de vestígios materiais e imateriais do passado e do presente. Os museus tornam coleções acessíveis sob várias formas, produzindo exposições e organizando programas de aprendizagem.
A imagem comum dos museus mostra tanto alunos das escolas, como turistas ou curadores altamente qualificados, mas os museus são muito mais. Embora muitas crianças na Europa visitem museus durante a sua escolaridade obrigatória, os museus existem também para os adultos! Os museus são muitas vezes um recurso valioso no turismo local e regional, com um número impressionante de visitantes. Num país como a Suécia, com menos de dez milhões de habitantes, 270 museus recebem mais de dezassete milhões de visitas por ano.
Atividades de aprendizagem oferecidas por museus
Os museus oferecem muitas atividades de aprendizagem diferentes (tanto não-formais como informais). Apresentamos alguns exemplos:
¬ Oferecem palestras gratuitas com base no conhecimento que decorre da pesquisa contínua que faz parte do dia normal de trabalho profissional do museu.
¬ Muitos museus realizam uma recolha ativa e envolvem as comunidades nas atividades uma vez que as memórias e conhecimentos das pessoas adultas são de enorme importância para obter resultados que satisfaçam a procura de autenticidade.
¬ Podem oferecer atividades de reconstituição que podem assumir diferentes formatos. Em galerias de arte os adultos mais velhos falam sobre o que vêm e experienciam a partir do encontro com uma dada obra de arte. Nos museus ao ar livre, os adultos mais velhos podem reexperienciar a sua infância ou juventude em ambientes que recriam os anos 40, os 50 ou os 60. Mesmo os adultos mais velhos com sintomas de demência e os seus familiares participam e experienciam bem-estar.
¬ Alguns oferecem boas oportunidades para o voluntariado já que os museus são orientados principalmente para o património e arte. Estudos sobre o voluntariado em museus mostram que a maioria dos voluntários aprecia que a sua competência individual seja necessária assim como a oportunidade de estabelecer ou restabelecer uma vida social.
¬ Muitos museus – especialmente museus ao ar livre com atividades agrícolas, incluindo animais – são utilizados como pontos de encontro ou lugares para excursões para pessoas com problemas mentais.
¬ Podem ainda oferecer estágios e oferecer empregos para pessoas que são marginalizadas pelo mercado de trabalho comum.
Museus ligam comunidades, aprendizagem ao longo da vida, valores democráticos e aprendizagem entre gerações
Visitar um museu para lá do cenário normal, permite muitas vezes ter a experiência de participar numa comunidade especial de trabalhadores, aprendizes, voluntários e utilizadores em que todos colaboram para o bem do património. Nos museus construímos, desconstruímos e reconstruímos a identidade a partir de conceitos de património. No século XXI este é um processo democrático e que significa que as pessoas de todas as idades estão ativas.
O potencial de aprendizagem ao longo da vida dos museus é enorme e a colaboração com profissionais que proporcionam educação de adultos pode ser desenvolvida para que se ajustem a uma sociedade com uma percentagem crescente da população a atingir a velhice e onde não há organizações públicas realmente dedicadas a melhorar o potencial das "competências de vida vivida" dos adultos mais velhos.
Pode ler aqui o texto complete em inglês:
Em: https://ec.europa.eu/epale/en/blog/why-museums-are-valid-learning-environments

Museus e Público Sénior em Portugal - Perceções, Utilizações, Recomendações
Estudo realizado pelo GAM – Grupo para a Acessibilidade nos Museus, numa parceria com o ICOM (International Council of Museums) Portugal e apoiado pela Fundação Gulbenkian em 2013
Museus e Público Sénior
(…)
Uma das tendências mais significativas nas últimas décadas na teoria e na prática museológica, a nível internacional, tem sido a orientação para os visitantes, para as pessoas. Na definição do que é um museu, as funções diretamente relacionadas com as pessoas (expor e comunicar) sempre estiveram incluídas, mas esta relação ganhou um destaque especial na ‘redefinição’ ou na adaptação das definições elaboradas pelo próprio ICOM, mas também por associações de museologia nacionais.
A definição do ICOM refere-se a uma instituição ao serviço da sociedade e aberta ao público. No entanto, pensamos que a mudança de paradigma reflete-se muito melhor na atual definição da Museums Association de Inglaterra, que veio substituir a anterior em 1997, e que retirou o destaque das funções para o colocar nas pessoas, destinatário final de toda e qualquer função do museu e sua raison-d´-être.
Ao contrário do que se possa pensar, este não é propriamente um desenvolvimento recente no pensamento museológico. Cada área tem os seus visionários e, entre outros, a museologia teve John Cotton Dana, diretor do Newark Museum. Em 1917 Cotton Dana escrevia:
Quase um século depois, podemos dizer que, mesmo quando as limitações em termos de recursos financeiros e humanos condicionem a prática, na teoria, na sua forma de pensar, grande parte dos profissionais de museus, e muito em particular aqueles que trabalham nos serviços educativos, têm integrado o conceito do “museu para as pessoas”. Do museu que abre as portas, que procura comunicar, inspirar, maravilhar, mas também envolver as pessoas, ser relevante para elas, ser um espaço de encontro e também de confronto de ideias, de partilha e de convívio.
Kenneth Hudson foi outro visionário. Com base no acima exposto, as suas palavras podem ser interpretadas de forma metafórica: as cadeiras podem representar esse museu aberto, acolhedor, convivial e envolvente. Esses museus sobreviverão no século XXI porque entendem que a sustentabilidade é também uma questão de afetos, de relevância e de acesso. Museus sem pessoas não são museus. São instituições distantes, frias, incompreensíveis e, consequentemente, irrelevantes.
(…)
Ler a publicação em pdf aqui: Museus e Público Sénior em Portugal - Perceções, Utilizações, Recomendações:
http://www.gulbenkian.pt/media/files/agenda/eventos13/Brochura_Museu_08_03_Book.pdf

Museus e Educação de Adultos em Portugal: Tendências e Práticas
Artigo de Clara Frayão Camacho publicado no segundo número da revista Aprender ao Longo da Vida
Nas últimas décadas, e em particular no nosso país na sequência da instauração da democracia em 1974, as mudanças operadas nos museus levaram a uma progressiva abertura da instituição museológica.
Esta abertura é visível em diferentes vertentes, seja na extensão dos seus conteúdos a novos e plurais patrimónios (científicos, técnicos, industriais, virtuais, imateriais), seja no prolongamento do museu pelo território onde se localiza, seja ainda pela atenção crescente à sociedade em que se insere. Este último factor reflecte-se igualmente no papel concedido à educação nos museus, baseado no entendimento dos próprios museus como centros de aprendizagem e de educação permanente, noção que tem vindo progressivamente a expandir-se, não apenas entre os responsáveis e os profissionais dos museus mas também junto dos respectivos públicos. Sendo locais de aprendizagem informal para pessoas de todas idades, de todos os níveis escolares e de todo o tipo de interesses, os museus podem desenvolver (deverão desenvolver) actividades educativas que ultrapassem os serviços prestados às crianças e aos jovens integrados no sistema escolar.
Museu como recurso de aprendizagem
A esta tendência contemporânea, de origem anglo-saxónica, a do museu como recurso de aprendizagem e como instrumento de educação permanente, deve acrescentar-se o reforço da relação do museu com a comunidade onde se insere, tendência cujo desenvolvimento tem sido também muito forte nas últimas décadas, e cuja origem podemos relacionar, entre outras proveniências, com a museologia francófona e com os contributos de Hugues de Varine.
Ambas as noções marcam hoje o debate em torno do papel dos museus enquanto entidades educativas, num sentido amplo e abrangente, e enquanto entidades sociais, que podem contribuir activamente, através das suas práticas, para a inclusão social. As duas noções implicam, aliás, uma mudança de paradigma da própria instituição museológica, centrada doravante na sociedade, sem esquecer, contudo, as suas funções essenciais de estudo, de documentação, de conservação e de divulgação dos bens culturais e dos patrimónios que lhe estão confiados. É esta alteração de paradigma que desloca também notoriamente a atenção da missão educativa dos museus, numa primeira fase quase exclusivamente centrada nos públicos escolares, e hoje cada vez mais voltada para os indivíduos ao longo das diferentes etapas da sua vida. A assunção e a aplicação destas tendências verificam-se em algumas das instituições museológicas portuguesas, não podendo, no entanto, afirmar-se que as perspectivas apontadas estejam largamente disseminadas e que se reflictam generalizadamente nas práticas dos serviços educativos dos museus. Na verdade, alguns museus portugueses têm vindo a encarar os seus serviços educativos numa perspectiva abrangente, de modo a continuarem a tocar de maneira criativa as crianças e os jovens estudantes para quem o seu trabalho predominantemente se dirige e a visarem também as famílias, os adultos (na sua diversidade), os idosos, os "excluídos sociais" e outros que não são utilizadores habituais dos serviços prestados pelos museus. Por vezes, esta atenção aos "novos" domínios da acção educativa tem sido estimulada e reforçada pela participação de alguns museus portugueses em projectos de parceria com outros museus europeus e pela poste-rior divulgação dos mesmos no nosso País.
(…)
Ler artigo completo aqui:
http://www.direitodeaprender.com.pt/sites/default/files/uploads/aprender_2.pdf
(Páginas 31 a 35)

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