A Aprendizagem ao Longo da Vida e as Organizações de Ensino/Formação

Estão os sistemas de educação e formação orientados para caminhos flexíveis de aprendizagem?

Estes sistemas continuam focados principalmente nos curricula, construídos com base em princípios que estão longe das competências exigidas, desconsiderando-se assim as aprendizagens adquiridas em contextos não formais e informais.

Continuam a privilegiar-se sistemas clássicos e académicos no que diz respeito à avaliação; até mesmo nos processos mais flexíveis, como no caso dos RVCC, a certificação de competências é garantida por uma prova escrita, oral ou prática diante de um júri.

Esta é uma das questões abordadas no artigo “Aprendizagem ao Longo da Vida: Conceito e Políticas” publicada no número 11 da Revista D&F – Dirigir Formar do IEFP.

O artigo, assinado por Etelberto Costa, começa por fazer uma introdução ao conceito de aprendizagem ao longo da vida, focando-se depois mais na vertente da formação profissional e terminando com uma referência ao projeto LLL-HUB.

O projeto LLL-HUB é um projeto da UE financiado pelo Lifelong Learning Programme que pretende iniciar um novo mecanismo para envolver diretamente os decisores políticos e os atores regionais/nacionais em estratégias da UE para a ALV.

Destacamos duas partes do artigo, uma em que questiona as implicações da ALV nas organizações de ensino formação e a secção em que faz referência ao projeto.

Que implicações para as organizações de ensino/formação?

A ALV representa uma mudança de paradigma que exige, por sua vez, uma mudança cultural dentro das instituições de ensino e formação. Enquanto as instituições de ensino tradicionais (porque as há) se preocupam principalmente com o conhecimento de transmitir oportunidades de aprendizagem modernas, a abordagem de ALV coloca ênfase no desenvolvimento das capacidades individuais e competências pessoais de aprender.

No cerne do conceito de ALV está a ideia de permitir e incentivar as pessoas para o aprender a aprender. Numa estratégia sistémica os aprendentes, em cada fase da vida, não precisam de ter oportunidades de aprendizagem, mas de uma visão e uma estratégia que os prepare e motive a aprofundarem a sua aprendizagem/competência, se necessário, de forma auto-organizada e autodirigida.

Na prática, isto requer que cada cidadão tenha um percurso de aprendizagem individual, adequado às suas próprias necessidades e interesses em todas as fases da sua vida.

Um dos principais desafios para a UE no próximo período é enfrentar o descompasso entre os níveis de qualificações e as necessidades dos postos de trabalho e da sua criação com abertura de percursos de aprendizagem flexíveis. As organizações educativas e formativas são incentivadas a reformarem-se a fim de adaptarem a sua oferta de aprendizagem.

Tem havido um interesse crescente na aprendizagem ao longo da vida a nível da União Europeia desde o início de 1990. À aprendizagem ao longo da vida é dado um papel central na educação e políticas de formação e emprego.

É um facto que as políticas de educação e formação da UE ganharam impulso desde a adoção da Estratégia de Lisboa em 2000, a estratégia global da UE centrada no crescimento e no emprego. O tópico foi utilizado para um programa de financiamento integrado no domínio da aprendizagem ao longo da vida, em 2007, o Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (hoje Erasmus mais). A ALV é, portanto, amplamente apoiada e promovida através de programas de financiamento da UE, no âmbito do Método Aberto de Coordenação (8) ou adoção de documentos e instrumentos de política.

Assim se chega aos objetivos estratégicos de longo prazo das políticas de educação e formação da UE e que são:

- Tornar a aprendizagem ao longo da vida e a mobilidade uma realidade.

- Melhorar a qualidade e eficiência da educação e formação.

- Promover a igualdade, a coesão social e a cidadania ativa.

- Incentivar a criatividade e a inovação, incluindo o empreendedorismo, em todos os níveis de educação e formação.

O progresso na ALV tem sido feito num número de áreas- -chave. Por exemplo, estratégias explícitas de aprendizagem ao longo da vida foram desenvolvidas por um grande número de países da UE. A maioria incorporou uma visão abrangente da ALV, abrangendo todos os tipos e níveis de educação e formação. Além disso, os quadros de qualificações nacionais ligados ao Quadro Europeu de Qualificações estão a ser desenvolvidos na maioria dos países, no horizonte de 2018. Embora em ritmo mais lento, os sistemas de validação das aprendizagens não formal e informal também são visíveis. Neste aspeto Portugal continua a ser uma referência europeia.

É evidente que as principais lacunas que persistem consistem em garantir que as políticas atuais da UE são desenvolvidas e implementadas a nível nacional. A implementação da ALV continua a ser desigual e está ausente um forte compromisso político na maioria dos países.

Isto é particularmente verdade nestes tempos de crise económica nas restrições orçamentais de assumir o investimento de longo prazo necessário em capital humano.

Isto pode explicar a mudança para uma abordagem mais utilitária ou económica (nova comissão Juncker) contra uma holística que envolva os objetivos sociais e culturais.

A ALV representa uma mudança radical a partir de normas e padrões de aprendizagem existentes, quando comparada com a educação front-end tradicional. Atingir benchmarks UE exige medidas eficazes para implementar a aprendizagem ao longo da vida. Precisamos de passar da teoria à prática!

Se a aprendizagem pode ser entendida como parte de um processo ao longo da vida e de toda a vida natural, a sua tradução para a política manteve-se mais problemática nas sociedades, se não menos importante por causa da mobilização de recursos que implica.

O projeto europeu LLL-HUB é um passo nessa direção

O projeto LLL-HUB é um projeto da UE financiado pelo Lifelong Learning Programme que pretende iniciar um novo mecanismo para envolver diretamente os decisores políticos e os atores regionais/nacionais em estratégias da UE para a ALV.

Cada país parceiro (oito no total) estuda a nível regional/ nacional a situação sobre a implementação dessas diferentes estratégias (pelos designados LLL-Labs). Em seguida, os parceiros irão organizar um fórum regional/nacional (LLL-Forum) com base na pesquisa realizada e envolvendo os decisores políticos e outras partes interessadas representativas em trazer uma contribuição prática. Em Portugal a APG – Associação Portuguesa de Gestores de Pessoas envolveu 15 peritos para esta iniciativa.

A última fase do projeto consiste num agrupamento transnacional de conhecimentos («Conferência Europeia: LLL-Àgora», a realizar em Bruxelas em 2016) para fazer uma análise comparativa dos fatores críticos, identificar os desafios comuns e elaborar recomendações políticas.

Mais informação sobre este projeto em: www.lll-hub.eu

Pode ler o artigo completo no pdf da revista (páginas 52 a57) aqui: Revista D&F – Dirigir Formar Nº 11

disponível aqui: https://www.iefp.pt/publicacoes-iefp

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