Mulheres e Homens mais iguais através de Programas de Literacia

Ao preparar as mulheres jovens e adultas com formação em literacia, cálculo e competências básicas e ao lhes proporcionar oportunidades de aprendizagem de qualidade, podemos apoiar o seu empoderamento e o das famílias, comunidades e sociedades.

Só conseguimos apoiar sociedades de aprendizagem ao longo da vida capazes de promover a igualdade de género com oportunidades de aprendizagem que permitam a progressão através de qualificações reconhecidas e que sejam parte integrante de sistemas articulados, flexíveis e permeáveis.

No dia em que se celebra o Dia Internacional da Mulher abordamos a necessidade de desenvolver programas que aproximem os dois géneros.

Da introdução da publicação do Instituto da UNESCO para Aprendizagem ao Longo da Vida (UIL), “Diminuir as diferenças de género: Empoderar as Mulheres através de Programas de Literacia”, extraímos este excerto:

A integração do género na literacia dos adultos

A literacia das mulheres está intimamente relacionada com o empoderamento das mulheres que é, há décadas, um objetivo declarado da literacia e educação de adultos. O impacto da literacia no empoderamento é visto, geralmente, em termos de benefícios de desenvolvimento, tais como a diminuição das taxas de mortalidade materno-infantil, o aumento de rendimentos e a melhoria de meios de vida. Mas o empoderamento das mulheres deve ser também valorizado como um processo participativo que é transformador por natureza (Robinson-Pant, 2014). Em contraste com noções de capacitação com propósitos socioeconómicos mais instrumentais, os estudiosos feministas têm definido empoderamento "como um processo através do qual as estruturas de poder podem ser identificadas, negociadas e transformadas", e têm reconhecido que "a literacia e a educação são meios críticos através dos quais tais processos podem ser desencadeados” (Ghosh e Mallik, 2015: 350).

A integração do género na literacia e educação de adultos envolve ter em conta os processos, resultados e impactos da globalidade do ciclo em que as atividades de aprendizagem são planeadas, projetadas, implementadas, monitorizadas e avaliadas. Deve ser informada por uma compreensão de género que existe em termos da consciência, identidades, papéis e relacionamentos, bem como das possibilidades de os transformar em ou como resultado de tais processos de aprendizagem. Todos devem ser envolvidos neste processo, não apenas as meninas e mulheres, mas também os rapazes e homens, se não as comunidades como um todo. Trata-se de rastrear com cuidado todos os aspetos do processo de aprendizagem e dar prioridade ao investimento na oferta de educação de qualidade para meninas e mulheres. Deve envolver tomar as medidas necessárias para enfrentar os desafios estruturais e corrigir as disparidades de género existentes, ligando a aprendizagem ao longo da vida à realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Podem ser tiradas várias lições de experiências anteriores de integração do género na literacia e educação de adultos, e de como se enfrentam os desafios que impedem a integração da perspetiva de género nas políticas e programas de literacia e educação de adultos.

Essas lições dizem respeito a questões críticas, tais como a acessibilidade, a qualidade, a relevância de políticas e programas de literacia e educação de adultos, e o empoderamento de alunos desfavorecidos e marginalizados na difícil jornada em direção à igualdade de género.

Há, por exemplo, evidências de que as mulheres em contextos multilingues e multiétnicos beneficiam mais com o ensino na língua materna em contextos não formais. No entanto, muitas vezes, as hierarquias de género existentes determinam quem tem acesso a que línguas e quais as línguas que são usadas em domínios de poder político. As decisões quanto à política da língua, e, especificamente, à língua de ensino apropriada para programas de literacia e de educação de adultos, devem, portanto, basear-se tanto em fatores culturais e étnicos como nas relações e perspetivas de género. Um grande desafio é abordar uma ampla gama de fatores relativos à exclusão e às desigualdades de formas que façam justiça à complexidade das identidades e interesses em jogo, mas que, ao mesmo tempo, reduzam as desigualdades de género.

A educação individual e os programas de formação para as jovens e mulheres são frequentemente intervenções unidirecionais que não estão articulados dentro sistema de ensino (dos adultos). Tais programas tendem a dirigir-se apenas para as necessidades práticas mais imediatas ao nível mais elementar de literacia e formação de competências, geralmente em áreas tradicionalmente femininas, como tricotar e cozinhar. Eles falham muitas vezes quanto às necessidades estratégicas de género que ajudem as mulheres a superar a sua posição geralmente subordinada dentro das famílias, comunidades e sociedades. Da mesma forma, também não conseguem abordar sistematicamente os desafios estruturais ou envolver os homens e a sociedade em geral. Uma abordagem eficaz para a igualdade de género e para o empoderamento das mulheres assume as necessidades estratégicas de género e facilita a progressão para lá da aprendizagem da literacia na comunidade. Só conseguimos apoiar sociedades de aprendizagem ao longo da vida capazes de promover a igualdade de género com oportunidades de aprendizagem que permitam a progressão através de qualificações reconhecidas e que sejam parte integrante de sistemas articulados, flexíveis e permeáveis.

Esta publicação do Instituto da UNESCO para Aprendizagem ao Longo da Vida (UIL) – “Diminuir as diferenças de género: Empoderar as Mulheres através de Programas de Literacia” – é a segunda edição de uma coleção de estudos de caso de programas de literacia que visam o empoderamento das mulheres (publicada originalmente em 2013), responde o interesse contínuo de aprender a partir de exemplos de práticas de literacia que melhorem a igualdade de géneros.

Pode ter acesso à edição integral em inglês aqui:

Narrowing the Gender Gap: Empowering Women through Literacy Programmes (PDF, 5 MB).

Informação disponível em: http://uil.unesco.org/literacy-and-basic-skills/narrowing-gender-gap-empowering-women-through-literacy-programmes#sthash.muBAMoJH.dpuf

 

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UIL

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