Inquérito à Educação e Formação de Adultos em Portugal PDF Imprimir e-mail
01-Dez-2008

O Instituto Nacional de Estatística (INE) aplicou um inquérito da Comissão Europeia, entre Outubro a Dezembro de 2007, a 11.289 pessoas com idades entre os 18 e os 64 anos, seguindo recomendações metodológicas do Eurostat. Dos resultados, recentemente anunciados pelo INE (http://www.ine.pt/) em informação à Comunicação Social de 26.11.2008 (clique aqui) realçamos algumas conclusões.

Em 2007, cerca de 1/3 (30,9%) da população portuguesa, com idade entre os 18 e 64 anos participaram em pelo menos uma actividade de aprendizagem formal ou não formal. A proporção de indivíduos deste grupo etário que frequentou um qualquer nível de ensino ou curso com equivalência escolar (educação formal) no período de referência foi de 12% e a dos que frequentaram actividades de educação não formal, através de aulas privadas ou cursos, ensino a distância, seminários, workshops ou acompanhamento em contexto de trabalho foi de 23,1%. Cerca de 2/5 (40,8%) estiveram envolvidos – com a intenção deliberada de aprender – em algum tipo de actividade de aprendizagem informal, desenvolvida na sua vida quotidiana, relacionada com o trabalho, a família, a vida social ou o lazer.

O retrato territorial na vertente da educação e formação evidencia as regiões de Lisboa, do Centro e do Algarve com proporções de participantes em aprendizagem ao longo da vida superiores à média nacional. Da leitura dos dados, comprova-se a “lei universal”: a maior participação em actividades de educação formal e/ou não formal encontra-se nos indivíduos com escolaridade ao nível do ensino secundário, pós-secundário e superior. Daqui decorre a necessidade de uma abordagem proactiva relativamente às pessoas com menor índice de escolaridade, para quem se requer geralmente uma inserção preliminar em actividades de educação informal. Paralelamente, observam-se nítidas diferenças de participação em aprendizagem ao longo da vida entre os vários grupos de profissões, encontrando-se os níveis mais elevados nos Especialistas das Profissões Intelectuais e Científicas (68,2%), as Forças Armadas (58,8%) e os Técnicos e Profissionais de Nível Intermédio (54,4%), e os mais baixos em Operários, Artífices e Similares (16,5%), Trabalhadores Não Qualificados (16,5%) e Agricultores e Trabalhadores Qualificados da Agricultura e Pescas (8%).

Face à participação ou não em actividades de aprendizagem ao longo da vida, as pessoas inquiridas foram agrupadas em 4 categorias:
- as que participaram e quiseram participar em mais actividades de educação e formação (8,3%);
- as que participaram mas não quiseram participar em mais actividades (22,5%);
- as que não participaram mas até queriam participar (6,4%);
- as que não participaram e não quiseram participar (62,7%).
Em suma: 85,2% a não querer e apenas 14,7% a querer: ainda há muito trabalho de animação e motivação a fazer e incentivos de toda a ordem a criar!
Razões para não querer: “não acrescenta mais-valia do ponto de vista profissional e pessoal”, “responsabilidades familiares”, “falta de apoio da entidade empregadora”, “colisão entre horário da formação e horário de trabalho”, “idade avançada”.

Nos 12 meses preliminares à realização deste Inquérito, 40,8% dos indivíduos tinham desenvolvido algum tipo de aprendizagens decorrentes das actividades da vida quotidiana, relacionadas com o trabalho, a família, a vida social ou o lazer. È a chamada educação informal, um tipo de formação que ocorre fora das estruturas institucionais, em ambiente de aprendizagem que as pessoas podem organizar livremente. A aprendizagem através de um familiar, amigo ou colega (25,9%), através de materiais impressos (23,1%) e de computador (22,5%) estão entre os meios de aprendizagem informal mais utilizados. Os outros são televisão, rádio e vídeo (10,5%), visitas guiadas a museus e/ou locais histórico-culturais (5,5%) e visitas a centros de aprendizagem (4,2%).    

 
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