admin@direitodeaprender.com.pt
 



 

A educação de Adultos gera competências sociais e motivação
A educação de adultos não-formal está na base de muitas competências sociais e pessoais que são relevantes para o mercado de emprego. Este sector também é capaz de motivar os participantes para integrarem outras vias de educação. Tais são as conclusões de um estudo encomendado pela Associação Dinamarquesa de Educação de Adultos (DAEA).

Quando os organizadores, educadores e decisores da educação de adultos não-formal, na Dinamarca, se reúnem, concordam sempre e sem hesitar que uma das principais virtualidades da educação de adultos não-formal (ou “liberal”) é a sua capacidade para gerar nos participantes competências sociais e pessoais.
De igual modo, ninguém contesta que este tipo de educação de adultos é capaz de criar ou reforçar a motivação e a auto-confiança que levam os participantes a enveredar por outras vias de educação, integrando-os assim num processo de educação e formação ao longo da vida.
Contudo, a questão tem-se levantado vezes sem conta: como se podem provar estas afirmações? Para encontrar a resposta, a DAEA encomendou a um instituto de investigação um estudo sobre os participantes em acções de educação não-formal na Dinamarca. O estudo cobre as pessoas adultas que frequentaram, nos dois anos anteriores, Escolas Nocturnas, Extensão Universitária Dinamarquesa, Colégios de Dia ou Escolas Superiores Populares. Sob diferentes formas, foram interrogadas sobre o que tinham ganho com essa participação, para além do próprio conteúdo do curso.
Um dos resultados do estudo é que 50% dos participantes, entre 18 e 59 anos, pensam ter melhorado no que se refere à colaboração com as outras pessoas. Metade também responde que as suas competências criativas melhoraram. E outros tantos estão convencidos que, graças à educação de adultos não-formal, estão agora mais aptos a resolver problemas e enfrentar os desafios. Vale a pena ainda sublinhar que 40% ganharam competências de liderança e sentem-se melhor equipados para lidar com o stress. Para realmente apreciar estes resultados, é preciso recordar que estas competências muito raramente se encontram explicitadas dentro dos objectivos do curso nem são, em regra, o motivo que leva o adulto a participar nele. Trata-se de efeitos colaterais muito positivos.
Estas e outras competências sociais têm sido promovidas pela educação de adultos não-formal na Dinamarca, principalmente porque garantem uma melhoria da qualidade de vida dos participantes e os tornam cidadãos mais capazes. Mas também não há dúvida que estas competências são relevantes e necessárias na grande maioria dos empregos de hoje. Este ponto é frequentemente assinalado por investigadores, políticos e pelo próprio mercado de emprego. De facto, mais de metade dos que participam em educação de adultos não-formal afirmam que as competências “laterais” adquiridas têm tido utilidade no seu trabalho.
Por outro lado, é consensual que uma tarefa extremamente importante para todos os sectores da sociedade é a criação da necessária motivação para frequentar a educação de adultos. Ora, segundo o referido estudo da DAEA, a educação de adultos não-formal faz parte da solução para este problema: 54% dos inquiridos reforçaram a sua motivação para se inscreverem noutras vias educativas.
Uma maneira de levar mais pessoas adultas a inscrever-se em acções de educação formal é encorajar as instituições educativas a reconhecerem as suas reais competências ou aprendizagens prévias. Há muitos anos que a DAEA vem insistindo neste ponto e já concebeu instrumentos para identificar e evidenciar as competências e conhecimentos previamente adquiridos. Simultaneamente, tem vindo a pressionar os poderes públicos para que as aprendizagens prévias sejam reconhecidas. Assim, em Junho deste ano, uma nova lei passou a obrigar os estabelecimentos de ensino a efectuar a validação destes adquiridos por parte dos participantes adultos.
in: EAEA News 2007-08-20