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Conferência da EAEA sobre Igualdade de Oportunidades atraiu Este evento atraiu cerca de 200 participantes de toda a Europa e até de outros continentes. Os debates revelaram claramente a elevada prioridade que os educadores de adultos conferem a esta temática. Num mundo em que crescem as desigualdades à escala global (em termos sociais, económicos e políticos), ninguém pode contestar a necessidade de coesão e de uma igualdade no acesso e nas oportunidades em geral. Ficou patente, em todos os debates, que os educadores de adultos desempenham um papel crucial na abertura de oportunidades.
Como esta problemática é extremamente vasta e os organizadores queriam evitar as frases ocas e demasiado genéricas, a questão foi dividida em 6 temas: 1. Aprender numa idade avançada 2. Consumidores como aprendentes 3. Questões de género 4. Migração e participação 5. Acesso à plena cidadania 6. Dificuldades de aprendizagem Dentro de cada tema, apresentaram-se e analisaram-se as tendências actuais. Houve momentos de surpresa geral (pelo menos, para as gerações mais jovens), como quando o grupo sobre Acesso à plena cidadania declarou que os educadores de adultos têm que reinventar a educação comunitária, um aspecto que fora central das nossas actividades no passado. Para muitos, a inclusão da educação dos consumidores foi difícil de “engolir”, mas, quando a conferência chegou ao fim, todos tinham chegado à conclusão de que é necessário alargar as perspectivas e a visão, pois a educação para um consumo responsável encontra-se efectivamente no cerne da igualdade de oportunidades. Declaração da EAEA sobre Igualdade de Oportunidades Aprender a viver com a igualdade de oportunidades na Europa “Iguais oportunidades” são hoje um mantra constantemente repetido pelos políticos. Contudo, como muitos outros “chavões”, correm o risco de se tornar palavras vazias. Pela Europa fora, constatamos a necessidade de oferecer iguais oportunidades se quisermos viver e prosperar em conjunto. Tanto a investigação como o bom senso já demonstraram que um factor determinante na desigualdade social é a falta de acesso a uma educação de qualidade e a oportunidades de aprendizagem; o que nos conduz à convicção de que um acesso mais igualitário pode reduzir as desigualdades sociais. Os educadores de adultos têm uma grande responsabilidade em promover esta visão. Uma abordagem abrangente à política de educação-formação de adultos Durante os últimos 5 anos, constatámos uma viragem radical na educação de adultos em direcção a um enfoque quase exclusivo na produção de competências básicas. Uma leitura crítica dos textos estratégicos, assim como uma análise das recentes prioridades de financiamento, revelam claramente que esta estratégia assenta mais em encontrar respostas para o que se considera ser as exigências de uma economia do conhecimento, num contexto de competição globalizada, do que em resolver as questões da inclusão social e do acréscimo de oportunidades para se aprender ao longo da vida. Em nossa opinião, as políticas de educação de adultos terão que incluir ambas as prioridades: devem assegurar um crescimento económico sustentável enquanto garantem a coesão social e a cidadania activa. Constatamos a necessidade de desenvolver uma melhor compreensão da gama de possibilidades da educação-formação ao longo da vida, inclusive em termos de género, deficiência, sexualidade, crença religiosa, nível de educação, etnicidade, estatuto económico e experiência de vida. Um bom enquadramento e uma nova vaga de educação de adultos na Europa A Comunicação da Comissão Europeia sobre Educação de Adultos, intitulada “Nunca é tarde para aprender”, em 2006, e o Plano de Acção em Educação de Adultos (“É sempre boa altura para aprender”, 27.09.2007) oferecem um bom ponto de partida. Incluem a intenção implícita de colocar a educação de adultos ao mesmo nível que outros sectores da educação e da aprendizagem. Trata-se de uma proposta ambiciosa que apoiamos plenamente. Contudo, tal só acontecerá se soubermos transformar a visão em acção, o que, para efectivamente acontecer, vai exigir recursos financeiros específicos e adequados. Sugerimos que as organizações de educação de adultos formulem programas nacionais de acção, ambiciosos mas realistas, tendo em vista esta finalidade. Uma implementação forte e coerente, a nível nacional, constituirá a base para uma nova vaga de educação de adultos por toda a Europa e para além dela. Deve assentar nas necessidades da população adulta e ser desenhada e construída a fim de garantir iguais oportunidades a todos. Os vastos benefícios resultantes da educação de adultos devem ser tão valorizados quanto o desenvolvimento de competências profissionais. Estes benefícios são, entre outros, pessoas mais saudáveis e auto-confiantes, com graus mais elevados de auto-motivação e competências de comunicação a nível pessoal, assim como famílias mais fortalecidas, comunidades mais seguras e cidadãos mais activos e melhor informados ao nível da colectividade. De cliente a pessoa-recurso e a cidadão activo A educação de adultos pode também oferecer uma segunda oportunidade a quem entrou na idade adulta sem quaisquer qualificações, num esforço de enfrentar o problema do número persistentemente elevado de jovens que abandonam precocemente a escola. A educação de adultos pode melhorar as competências das pessoas e, simultaneamente, ajudá-las a tornarem-se cidadãos activos e a reforçar a sua autonomia pessoal. A educação de adultos deve ser vista como um instrumento para reduzir os contumazes problemas de pobreza e exclusão social entre os grupos marginalizados, podendo nomeadamente reforçar a integração de migrantes na sociedade de acolhimento e no mercado de trabalho. Estes são apenas alguns exemplos dos efeitos que a educação de adultos pode ter no desenvolvimento das sociedades. A igualdade de oportunidades e o papel da educação, neste contexto, significam identificar e remover obstáculos; significam inclusão e empowerment; auto-determinação e crescimento pessoal; auto-realização e formação de cidadãos e consumidores confiantes; respeito mútuo e coesão social. O papel dos educadores de adultos Para resumir, pode dizer-se que o desafio para os educadores de adultos é tornar iguais todas as formas de aprender, procurando melhorar, ao mesmo tempo, as condições de vida das pessoas. Ao colocar as necessidades do aprendente no centro do processo, os educadores de adultos serão capazes de escolher os papéis e instrumentos apropriados para facilitar o processo de auto-desenvolvimento e auto-realização. O educador de adultos deve tornar-se um conselheiro, apoiando as pessoas a aceitarem as suas responsabilidades quanto ao balanço e melhoria das suas próprias competências e quanto ao seu próprio desenvolvimento pessoal. Para conseguir isso, há que melhorar muitas coisas. Na formação dos educadores de adultos, há que os familiarizar, antes de mais, com as ideias de igualdade de oportunidades na educação de adultos, utilizando boas práticas que facilitem a adopção destes valores. Os prestadores de educação de adultos têm que dar respostas às necessidades diversificadas das pessoas, respeitando as aprendizagens que já adquiriram, de forma informal e não-formal, no exterior do sistema formal de educação. Recomendações específicas para decisores públicos e para agentes educativos 1. Ouvir os aprendentes Um factor crítico para o sucesso é a disposição e capacidade para ouvir o que os aprendentes de todas as idades têm para dizer sobre os seus objectivos e aspirações de aprendizagem. 2. Aprendizagem intercultural Com base nos direitos humanos de emigrar e ter acesso à educação, as aprendizagens interculturais têm que estar integradas na educação oficial, o que deve assentar em políticas educacionais específicas, dirigidas tanto à população imigrante como aos cidadãos do país de acolhimento. A intenção terá que ser a de incluir, e não excluir, as pessoas dos mais variados contextos culturais. 3. Cidadania plena e activa Para motivar todas as pessoas a compreender o que significa ser um cidadão pleno, os educadores de adultos devem proporcionar as oportunidades de aprendizagem que melhor respondam às diferentes necessidades dos aprendentes. Isto irá exigir um equilíbrio entre integração e separação dentro do processo formativo, de modo que as necessidades individuais e do grupo sejam efectivamente satisfeitas, como exigirá ainda que os educadores de adultos desenvolvam estratégias capazes de garantir que todas as vozes são ouvidas de igual maneira. 4. Educação do consumidor num contexto de sustentabilidade A educação do consumidor deve ser integrada dentro das estratégias e dos programas de educação-formação ao longo da vida. A EAEA, em parceria com a Comissão Europeia, deverá pressionar no sentido de a educação para a sustentabilidade ser considerada em todos os aspectos do Quadro Europeu de Qualificações (QEQ). Os educadores de adultos deverão colaborar como os meios de comunicação social a fim de sensibilizarem os cidadãos europeus para as áreas de educação para o consumo responsável e o desenvolvimento sustentável. 5. Aprender e viver numa sociedade inclusiva e plural Os educadores de adultos devem encontrar instrumentos e processos capazes de garantir o empowerment dos aprendentes, que poderão assim adquirir os conhecimentos e desenvolver as competências necessárias para serem bem sucedidos numa sociedade e numa economia cada vez mais complexas. Os educadores de adultos deverão também considerar como ajudar as organizações e instituições a tornarem-se mais inclusivas, reflectindo, nas suas estruturas, as comunidades que é suposto servirem. Os educadores de adultos podem apoiar as autoridades e instituições a valorizarem os benefícios de trabalharem com uma população diversificada. 6. Igualdade de género Os educadores de adultos e as agências de educação de adultos devem fazer campanha para a adopção de uma prioridade específica à questão do género nas tomadas de decisão políticas. Para isso, deverão participar em redes locais, regionais, nacionais e globais. Os educadores de adultos e as agências de educação de adultos devem colocar questões sobre a distribuição de recursos entre homens e mulheres e também perguntar que homens e que mulheres os receberam. Quem é marginalizado? Os educadores de adultos e as agências de educação de adultos devem interrogar: “Há diferentes motivações, com base no género, para a participação nas redes?”. A EAEA deve também rever as suas prioridades e reflectir sobre as questões de género… European Association for the Education of Adults (EAEA) Nordic Network for Adult Learning Riga, Dezembro de 2007 www.eaea.org |
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