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Aprender em democracia, através dos Círculos de Estudo O Secretário-Geral da Associação Norueguesa de Educação de Adultos (VOFO), Sturla Bjerkaker, em colaboração com Judith Summers, produziu um trabalho de apresentação e análise dos “Círculos de Estudo”, publicado recentemente pelo NIACE (National Institute of Adult Continuing Education, England and Wales).
Os Círculos de Estudo são grupos de pessoas adultas que gerem a sua própria aprendizagem, adoptam uma prática interna democrática e utilizam métodos visando elevar a capacidade de todos os participantes para se tornarem cada vez mais confiantes, como aprendentes e como cidadãos, mais capazes de agir e de tomar em mãos os seus próprios destinos. Este livro mostra como os Círculos de Estudo oferecem, de facto, uma alternativa a uma abordagem limitativa da aprendizagem, exclusivamente assente em competências, e defende que as suas potencialidades deviam ser reconhecidas tanto por formadores como por decisores. Contém um conjunto alargado e diversificado de estudos de caso, que revelam como os Círculos de Estudo se estão a desenvolver dentro da educação de adultos, das organizações voluntárias, dos grupos de ajuda mútua, das comunidades confessionais ou dos projectos de desenvolvimento local, retirando exemplos da Noruega e da Eslovénia.
Para ilustrar este útil guia, retirámos as seguintes passagens:
“Durante mais de um século, a aprendizagem na escola, a aprendizagem no local de trabalho e a aprendizagem na comunidade têm sido processos com um contributo distinto para o projecto mais vasto que é o de produzir cidadãos activos e qualificados. Até agora, o círculo de estudo esteve associado às aprendizagens de base comunitária, mas não terá necessariamente que ser assim. Existem outros contextos possíveis para o círculo de estudos, tais como os grupos de estudo nos locais de trabalho ou os grupos de trabalho nos estabelecimentos de ensino.
“Aprender é tão antigo quanto a humanidade. Uma aprendizagem ocorre em qualquer lado onde seres humanos estejam presentes e activos. Aprender é inevitável! A maior parte das aprendizagens acontece por acaso (ou por acréscimo). Enquanto crianças, não temos consciência de que estamos a aprender a nossa primeira língua, mas o facto é que estamos. Enquanto jovens, no nosso primeiro emprego, aprendemos a actuar dentro da cultura própria ao nosso espaço de trabalho, e temos em geral consciência de que se produzem então aprendizagens. A maioria das aprendizagens surge através da comunicação entre duas ou mais pessoas. Pode ser uns de nós e o professor, numa escola ou num curso nocturno; entre amigos, a conversarem num café; num chat na internet; entre colegas à volta da mesa do almoço – de facto, em qualquer encontro entre pessoas. A maioria das nossas aprendizagens é informal, acidental, não é organizada como um processo de educação. Reflectirmos sobre a transição entre estas aprendizagens informais e o processo educativo mais organizado e formal ajudará, sem dúvida, a compreender a valia do círculo de estudo como método de aprendizagem.
“Segundo a educadora de adultos sueca, Inge Johansson, antiga Presidente da WEA (Workers’ Education Association) na Suécia, os princípios que informam a aprendizagem em círculos de estudo são:
- independência e auto-determinação: os participantes preparam-se para as reuniões, lendo e aprendendo os assuntos que o próprio círculo escolheu para trabalhar;
- cooperação: intimidade e amizade são essenciais para assegurar um ambiente de trabalho e aprendizagens bem sucedidas;
- pertinência e sentido da responsabilidade: o trabalho brota dos interesses e das necessidades dos participantes e estes assumem a responsabilidade de contribuírem, todos e cada um, para o trabalho em curso.
Os círculos de estudo baseiam-se na hipótese de que as pessoas adultas:
- estão mais motivadas para aprender quando a educação está associada de alguma forma às suas vidas, quer pessoal quer social;
- aprendem melhor se estiverem activamente envolvidas num processo educativo de que se sentem responsáveis;
- possuem uma visão e experiência que o processo formativo vai utilizar como recurso essencial e como alicerce de construção; e
- aprendem mais depressa quando teoria e prática se encontram articuladas dentro do processo educativo.
No seu melhor, um círculo de estudo é, para os adultos com baixa auto-estima e confiança, uma forma de aprender humana, fácil e sem medos. Mas também é exigente. Requer actividade e diálogo entre todos os seus membros. Normalmente, o círculo de estudo é um grupo de iguais, em que o líder é apenas um primus inter pares. Só esporadicamente se recorre a um professor ou um perito. O conceito pedagógico pode sintetizar-se, falando de “aprender pela partilha”, sempre com referência à experiência de cada membro. Deste modo, o círculo de estudo oferece uma maneira de aprender que:
- não humilha nem nos faz sentir inadequados;
- é não-violenta;
- é despretensiosa e sem qualquer arrogância, vivida num espírito de humildade;
- leva a um sentimento de realização, auto-confiança e auto estima; e
- promove as competências chave, tais como a aptidão para intervir socialmente em grupos heterogéneos ou para utilizar os instrumentos das TIC de forma interactiva.”
Sturla Bjerkaker & Judith Summers, “Learning democratically using Study Circles”. NIACE, (21 De Montfort Street, Leicester LE1 7GE, Inglaterra) 2006, 123 pp.
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