![]() |
![]() admin@direitodeaprender.com.pt |
||||||||||||
Boaventura Santos propõe uma nova universidade Sobre a participação de Boaventura Sousa Santos no Forum Social Mundial que decorreu em Porto Alegre (Brasil) entre 26 e 31 de Janeiro de 2005 Por: Fausto Rêgo/RETS – Revista do Terceiro Sector - Edição Especial
"As universidades ensinam uma pequena parte do conhecimento a uma pequeníssima parte da população. A ciência tem hoje o monopólio do saber e não reconhece outro conhecimento que não se paute por suas regras, desconhece conhecimentos fundamentais para os movimentos sociais. Isso desvaloriza os povos que os usam". Quem afirma é o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que defende a criação da Universidade Popular dos Movimentos Sociais - onde não haveria ensino ou aprendizagem nas formas tradicionais, mas sim um espaço de troca entre o que chamou de "ignorâncias recíprocas". "Nada contra a ciência", observou, "mas contra o exclusivismo da ciência". Segundo o sociólogo, o atual modelo resulta em consumismo e neocolonialismo, submetendo o saber comum ao esquecimento ou transformando-o em matéria-prima. É o que ocorre hoje, por exemplo, com as ervas medicinais utilizadas pelos povos indígenas: são patenteadas, transformadas em medicamentos e comercializadas. “É a nova forma de pilhagem”, diz. Boaventura espera sair deste Fórum Social Mundial com um passo concreto para consolidar o projeto da Universidade Popular dos Movimentos Sociais: a elaboração da carta de princípios que nortearia sua construção.O modelo ainda precisa ser discutido, mas ele a imagina como um ambiente que congregue cidadãos de toda parte e que funcione à base de narrativas, não de textos. “Há muitas iniciativas, queremos juntá-las numa rede. É o isolamento que nos divide”, critica. Como exemplo, cita o caso do Movimento dos Trabalhadoresa Rurais Sem Terra (MST), que mantém sua própria universidade. “Mas quantos do movimento feminista ou indígena vão lá participar? Provavelmente nenhu”, lamenta. “Os conhecimentos estão isolados, mesmo quando são movimentos que lutam pelas mesmas coisas”. Se a idéia dará certo é difícil dizer. Boaventura entende ser necessário um período de experiência, talvez de um ano, ao final do qual todos se reuniriam para decidir se o projeto teria fracassado ou não. Como fazer é algo ainda por discutir e decidir. “Não há receita geral para isso. Devemos fazer análises concretas de situações concretas”, pondera. “Se fracassarmos, que abandonemos a idéia e partamos pra outra. São riscos, como foi um risco fazer o Fórum Social Mundial”. |
||||