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O “Colégio dos Pés Descalços” O “Barefoot College” (Colégio dos Pés Descalços”) situa-se em Tilonia, no Estado de Rajastão, na Índia. Foi criado em 1972, com base na convicção de que as soluções para os problemas das áreas rurais se encontram nas próprias comunidades. O Colégio ocupa-se de problemas relacionados com água potável, educação das raparigas, saúde e saneamento, desemprego rural, criação de rendimento, electricidade e energia, e ainda consciência social e conservação dos sistemas ecológicos nas comunidades rurais.
O Colégio beneficia “os mais pobres entre os pobres”, que não têm quaisquer alternativas. Fomenta o conhecimento prático e as competências, e não as qualificações no papel, através de uma metodologia de “aprender fazendo”.
Foi inteiramente construído por “arquitectos de pé descalço”. O “Campus” cobre cerca de 3 hectares e é composto por residências, casa de hóspedes, biblioteca, sala de refeições, salas de reuniões, teatro ao ar livre, bloco administrativo, hospital de emergência com 10 camas, laboratório patológico, unidade de formação de docentes, laboratório de análise da água, posto de correios, cabina telefónica, loja de artesanato, Centro de Desenvolvimento, um café (“dhaba”) internet, oficina de fantoches, unidade audiovisual, tipografia, dormitório para formandos residenciais e um tanque de 700,000 litros de águas pluviais. O Colégio está inteiramente electrificado com energia solar. O “Barefoot College” serve uma população de mais de 125.000 pessoas, tanto das imediações como de zonas mais distantes. Nas próprias palavras dos seus responsáveis, “é um espaço para aprender e desaprender. É um espaço onde o professor é o aluno e o aluno é o professor. Onde não existem graus nem diplomas, porque em desenvolvimento não há peritos, unicamente pessoas-recurso. É um local onde as pessoas são incentivadas a cometer erros, para que aprendam a humildade, a curiosidade e a coragem para correr riscos, para inovar, para improvisar e experimentar constantemente. É um espaço onde todos são tratados como iguais e não existe hierarquia. Enquanto este processo conduzir ao bem estar de todos, enquanto os problemas de discriminação, injustiça, exploração e desigualdade forem tratados directa ou indirectamente; enquanto os pobres, os indigentes e os desapossados sentirem que encontram aqui um lugar em que podem falar, ser ouvidos com dignidade e respeito e ser formados, onde recebam instrumentos e competências para melhorar as suas vidas, a relevância imediata do Colégio para os pobres em geral estará sempre presente”. No respectivo website, são enunciados os seguintes programas de actividades: - água potável - recolha de águas pluviais - energia solar - escolas nocturnas - centros de saúde - ambiente - habitação - criação de rendimentos - meios de comunicação tradicionais - intervenção popular - grupos de mulheres Relativamente às escolas nocturnas, pode ler-se: Mais de 250 escolas nocturnas foram criadas em 6 Estados da Índia (Assam, Bihar, Orissa, Uttranchal, Madhya Pradesh e Rajasthan), para benefício das crianças que trabalham. Cerca de 4000 raparigas e mais de 2.250 rapazes, que tratam do gado durante o dia, frequentam estas escolas depois de anoitecer. Todas estas escolas são iluminadas por candeeiros solares, cuja manutenção está a cargo de “engenheiros de pé descalço”. Os instrumentos e materiais pedagógicos utilizados nas escolas nocturnas são feitos a partir de desperdícios reciclados. Também dispõem de jogos científicos de madeira, produzidos por jovens com deficiências físicas. O ensino é informal e o programa de estudos centra-se no conhecimento prático e na experiência. Dado que a maior parte destas crianças se ocupa de gado, aprendem o que é básico para esta actividade, assim como leitura, escrita e matemática. Todos os alunos recebem livros escolares que podem levar para ler enquanto apascentam os seus rebanhos. A frequência normal destas escolas, por parte das crianças e jovens, é de 5 anos. Comités de educação nas aldeias Em todas as aldeias onde se abriu uma escola nocturna, foi criado um Comité Local de Educação. Cada Comité é composto, em média, por 15 a 30 aldeões, dos quais entre 5 e 10 são mulheres. Os Comités têm conta bancária no banco rural mais próximo. Dois dos membros, juntamente com um elemento do pessoal docente do Colégio Barefoot, são responsáveis pela gestão da conta. Os comités encarregam-se da gestão diária das 250 escolas nocturnas, compra de materiais pedagógicos, manutenção dos edifícios e pagamento dos honorários aos docentes. Os membros do comité de aldeia trabalham sem qualquer remuneração. Reúnem mensalmente e incentivam os pais nas respectivas aldeias a enviar os seus filhos e filhas à escola. Recebem formação básica sobre registos de contabilidade e gestão de stocks. Também as crianças assumem responsabilidades quanto à escola que frequentam, ao eleger os seus próprios representantes. O Parlamento das crianças O Parlamento das crianças controla e superintende as escolas nocturnas. Baseia-se no princípio de que dar poder às pessoas que têm um interesse real e imediato na escola é a melhor maneira de garantir o êxito desta actividade, e também de tornar as crianças mais conscientes no que se refere às estruturas e processos políticos. Esta forma de activismo, vinculado à educação, conduz a um conhecimento aprofundado do sistema, do seu funcionamento e das vias para resolver reivindicações locais. O Parlamento das crianças, desde que foi criado em 1993, já teve cinco “legislaturas”; funcionando com representantes eleitos das escolas nocturnas, situadas em 4 distritos do Rajasthan, cobrindo uma área geográfica entre 700 e 800 km2 de zonas semi-áridas e desérticas. Formação de docentes A formação é um aspecto muito importante no programa educacional do Colégio Barefoot. Através de seminários no campus principal e noutros espaços, preparam-se os professores “de pé descalço” para as escolas nocturnas. Biblioteca itinerante A biblioteca itinerante vai de aldeia em aldeia e as crianças das escolas nocturnas ou os voluntários utilizam-na regularmente. A disponibilidade de materiais de leitura ajuda a criar e manter hábitos de leitura entre os alunos destas escolas. E quanto aos meios de comunicação tradicionais: O Rajasthan possui uma rica tradição em marionetes, que são usadas para contar histórias sobre mitos locais e lendas de reis e rainhas. A partir das marionetas de cordel tradicional, os bonecreiros do Barefoot College criaram um tipo de marionetes de luva, “amigos do ambiente”, feitos de papel reciclado. Também têm experimentado máscaras, nos últimos anos. Já foram formados mais de 2.750 comunicadores “de pé descalço”, capazes de produzir espectáculos de fantoches para públicos semi-alfabetizados, sobre questões de saúde, educação e direitos humanos. Mais de 500.000 pessoas já assistiram a estas sessões, realizadas desde 1981 em 4.200 aldeias da Índia. Um dos mais populares heróis é Jokhim Chacha, que tem 365 anos de idade e gosta de apresentar ideias sobre questões sociais e comunitárias e discuti-las com as pessoas das aldeias. Meios de comunicação modernos Há uma grande variedade de meios de comunicação modernos que são também utilizados pela equipa de comunicação “pé descalço” no Colégio. Tipógrafos “pé descalço” trabalham nas oficinas de serigrafia, produzindo cartazes sobre saúde, educação e outras questões sociais, e também anúncios, panfletos e materiais pedagógicos para as escolas nocturnas. Fotógrafos e técnicos de audiovisuais produzem diapositivos, fotografias e cassetes áudio e vídeo. Mais informação no site:Barefoot College |
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