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AMinistra da Educação,
Maria de Lurdes Rodrigues, e o Secretário de Estado do Emprego
e da Formação Profissional, Fernando Medina, foram à sessão
de encerramento do Encontro EFA, tendo a Ministra afirmado que
a presença de dois membros do governo não era meramente
simbólica: “Viemos aqui aprender e também relatar
o que vai ser a orientação política nesta
matéria.” |
A Ministra reconheceu que o problema
da educação de adultos há 30 anos era o problema
o analfabetismo. Hoje, não estando este completamente resolvido
na sociedade portuguesa, tem contornos muito diferentes. O desafio
que se coloca hoje a Portugal, para além de concluir a resolução
do analfabetismo, é encarar o problema da elevação
dos níveis de qualidade de toda a população.
E a circunstância, talvez mais estranha, mas também
mais difícil no caso português, diz Maria de Lurdes
Rodrigues, é que o problema da qualificação
dos adultos decorre de duas circunstâncias muito diferentes. “Por
um lado, decorre do nosso passado histórico, que impediu
milhares de hoje adultos terem acesso à escola e a terem
um percurso normal de qualificação.” E o problema
do insucesso escolar actual, que nos últimos vinte, dez
anos, atira para o mercado de trabalho jovens sem qualificação.
A Ministra passou então a apresentar a Iniciativa Novas
Oportunidades, que tentou sistematizar em seis características.
A primeira é cortar, ou pelo menos minimizar, o fluxo do
insucesso escolar que todos os dias faz chegar ao mercado de trabalho
jovens sem o 9º ano, ou que passaram pelo secundário
sem o terem concluído. “Precisamos de inverter esta
tendência. Aquilo que pretendemos fazer é, em primeiro
lugar, diversificar as ofertas formativas. Precisamos aumentar
os cursos profissionais. Precisamos de renovar os cursos tecnológicos
e, em todas estas áreas de ensino, fazer crescer a procura
por parte dos jovens destas ofertas formativas; e, sobretudo, precisamos
de aumentar, de melhorar os resultados obtidos na frequência
destes cursos.”
A segunda característica desta iniciativa é o que
Maria de Lurdes Rodrigues designou como as novas oportunidades
para concluir com êxito um qualquer nível de ensino
para populações de adultos. O essencial das medidas é a
criação e a generalização dos Cursos
EFA, dos Centros RVCC e dos Cursos de Especialização
Tecnológica. Para isto será necessária a criação
destas ofertas formativas num leque amplo de instituições
e de tipologia de instituições.
Este aspecto leva à terceira característica das Novas
Oportunidades: as parcerias e o envolvimento de instituições
particulares e cooperativas na execução do projecto. “Necessitaremos
de envolver na concretização do programa as escolas
básicas e secundárias, a rede de escolas que é a
talvez a maior rede para as ofertas formativas, as escolas profissionais,
os centros de emprego e de formação, as instituições
de ensino superior e as outras instituições particulares
e cooperativas que já operam no terreno.”
O quarto traço é a articulação estreita
entre o Ministério da Educação e o Ministério
do Trabalho. “Diria que cabe aos dois ministérios
a definição dos referenciais e a definição
das orientações programáticas.” Vão
ser também estes dois ministérios os responsáveis
pela gestão da rede de ofertas formativas e o apoio às
instituições da rede pública e privadas e às
instituições escolares ou instituições
de formação que queiram desempenhar um papel na execução
destas ofertas formativas.
Uma linha bastante importante neste programa é o financiamento
para apetrechamento dos espaços das escolas públicas
em espaços de formação adequados às
novas exigências pedagógicas, como sejam as oficinas
e os espaços laboratoriais. O risco muitas vezes apontado
do envolvimento das escolas tradicionais num programa deste tipo é o
risco da excessiva escolarização destas programas,
que visam sobretudo a qualificação dos adultos. “Esta
rede alargada de espaços oficinais e laboratoriais irá permitir
um ensino menos retórico e um ensino experimental mais centrado
no saber fazer.”
Para terminar, Maria de Lurdes Rodrigues abordou a questão
da avaliação. “Será instituído
um sistema de monitorização e acompanhamento tanto
dos processos como dos resultados que permita inflectir, intervir,
ajustar e adequar aquilo que é o espaço de intervenção
do governo e das instituições públicas nesta
matéria.”
A Ministra terminou afirmando: “É de facto muito ambicioso,
mas o que penso é que a nossa ambição tem
de ser à medida dos nossos problemas. E o problema tem uma
dimensão que sem uma ambição equivalente não
conseguiremos resolver.”
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