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A educação ao longo da vida como conceito plural Excerto do artigo "El sorprendente retorno de la educación a lo largo de la vida" in "Sectores Emergentes en el Campo de la Educación Permanente", Diálogos y Universidad, nº 1, Universitat de les Illes Balears, 1998) escrito por Paul Bélanger
Ex-Director do Instituto UNESCO de Educação em Hamburgo.
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Já se não pode falar no singular de educação ao longo da vida. O que está emergindo é uma multiplicidade de modelos de ‘sociedades de aprendizagem’: diferentes expressões de requisitos, diferentes aspirações, diferentes relações sociais, que permitem diferentes negociações dos projectos educativos. Paralelamente à procura actual predominante de adaptação da força de trabalho às novas tecnologias, também se devem considerar muitas outras procuras ou projectos: a crescente procura por parte de grupos de mulheres para aceder ao poder através da educação, a exigência dos movimentos ecológicos de acções mais competentes, o impulso de um número gradual de adultos preocupados com a saúde, o simples mas geral e genuíno desejo de auto-desenvolvimento pessoal, a necessidade dos adultos emigrantes dominarem a língua e a cultura do novo país, as reivindicações das minorias para proteger e revitalizar a sua cultura, o desejo dos pais em desempenharem um papel activo na educação inicial dos filhos, etc. A educação ao longo da vida hoje são muitas coisas. Existem muitas visões sobre a educação ao longo da vida. O discurso do Livro Branco da União Europeia (1996), embora importante, é apenas uma delas. A educação ao longo da vida está a ressurgir, já não como política ‘standard’, mas sim na desordem, por troços e em fragmentos, na indústria, nos movimentos sociais e na intimidade do quotidiano. Está a ressurgir, atravessando fronteiras institucionais, e até frequentemente do lado de fora das instituições tradicionais de educação de adultos, com formas e com vozes contraditórias. A Educação Permanente é um campo muito diversificado e cheio de conflitos. Se existe uma universalidade no direito de aprender, para além das fronteiras institucionais e etárias, também existe, por outro lado, uma grande descontinuidade nos contextos e nas visões da aprendizagem e, por conseguinte, uma pluralidade da educação ao longo da vida. Os contextos da aprendizagem são muito diferentes e desiguais; algumas pessoas estão a viver em ambientes muito estimulantes, enquanto muitas outras estão a trabalhar em postos de trabalho muito repetitivos. A fase crítica inicial da vida educativa, a educação escolar, está longe de ser a mesma para os diferentes grupos sociais e sociedades. As diversas e crescentes formas de pressão para a libertação das forças criativas latentes na população adulta estão também desigualmente articuladas nas várias sociedades. A primeira questão, naturalmente, será reconstruir uma imagem, completa e compreensível, da educação ao longo da vida nas diferentes sociedades, sem qualquer exclusão semântica e através das fronteiras institucionais e disciplinares. Os ministérios da educação e as associações educativas constituem uma parte, mas só uma parte e sob diferentes formas, destas vias emergentes. Em seguida, há que reconhecer que as crescentes aspirações e exigências para se actuar com mais autonomia e competência em todas as áreas da vida, trabalho, saúde, meio ambiente ou poder local, estão a alterar completamente o debate sobre a educação ao longo da vida. É necessário identificarmos as novas questões referentes à educação ao longo da vida na pós-modernidade e reconstruí-las dentro de cada contexto cultural. Em relação estreita com os outros aspectos sociais, os diferentes projectos de educação ao longo da vida estão a chegar à primeira linha dos debates sociais da pós-modernidade. Dissociado da sua origem teórica e utópica, este conceito está agora submerso em projectos sociais contraditórios, entre os quais prevalece a tendência que o reduz a uma estreita definição centrada em equipar a força de trabalho com as aptidões e as competências exigidas pela economia. O ressurgimento global da educação ao longo da vida é real mas contraditório, mais real precisamente por ser contraditório. Estamos a atingir um momento da história da educação em que a educação ao longo da vida, deixando de ser um discurso educacional teórico, está a entrar na história. |
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