Promover a saúde e a integração social a partir do palco PDF Imprimir e-mail
21-Dez-2008
Durante mais de um século, as artes, artesanatos e outras actividades criativas desempenharam um papel central na educação de adultos não-formal da Dinamarca, mas mais recentemente o teatro tem conseguido associar-se à educação de adultos de uma maneira inovadora.

São cada vez mais os políticos que vêem na educação de adultos não-formal uma via de apoio aos serviços públicos, na busca de respostas para diversos problemas sociais, tais como os que se referem a integração de imigrantes, promoção da saúde e cidadania activa.
Muitas escolas e associações já entraram neste campo e um dos veículos que utilizam é o teatro. Pequenas companhias de teatro estão preparadas para tournées, dispondo de pequenos cenários e equipamentos, apropriados para os salões das escolas e dos centros comunitários.

Uma destas companhias, “Odsherred Teater” colocou um Ministro do Estilo de Vida no palco na sua peça “A Forma Correcta” sobre saúde. Através das diversas personagens desta peça, a companhia confronta o público com opiniões e mitos sobre saúde que, segundo um estudo recente, persistem na Dinamarca. “As autoridades não devem interferir com a forma como eu vivo”, “A responsabilidade é do empregado, se estiver stressado”, “Haverá lugar na sociedade para quem não se ajusta ao mercado de trabalho?”. Desta forma, conseguem provocar o público a exprimir os seus pontos de vista. Ao mesmo tempo, mostram factos no ecrã, tais como quantas pessoas morrem por ano devido ao tabaco ou à obesidade.

Esta companhia estabeleceu uma parceria com uma associação nacional de escolas de educação de adultos, DOF. As escolas locais da DOF organizam eventos em que se representa esta peça e o público debate no final. Na cidade de Kolding, a responsável pelo departamento municipal de saúde, Helle Rasmussen, presidiu ao debate: “A peça é muito eficaz em levar as pessoas da audiência a discutirem entre si, em contraste com o que se passa nos encontros com conferencistas”, explica Helle. “Observei, por exemplo, o que aliás me surpreendeu, que a maioria dos presentes estavam dispostos a aceitar a intervenção do Estado, regras e regulações em questões associadas com a saúde. Teria esperado que defendessem muito mais a liberdade individual”, diz ela, acrescentando que assistiu a um excelente debate entre jovens e idosos a propósito dos hábitos alcoólicos da juventude.

Num outro palco, dois actores de origem não dinamarquesa estão a discutir. Um fala com uma exagerada pronúncia do Médio Oriente, o que leva o público a rir, independentemente da respectiva nacionalidade. Pede ao amigo que obrigue a irmã a casar com ele, mas o amigo quer que a irmã decida por si mesma e apoia-a na sua decisão de procurar obter uma educação adequada. Esta é uma das dez cenas da peça “Em nome do amor”, a mais recente produção do grupo “Opgang2”.
Também circulam pelo país, representando em escolas, bairros, centros de educação de adultos. Além das peças teatrais, produzem materiais que formadores e organizadores poderão adoptar para as suas actividades educativas e para debates sobre nacionalidades, culturas e religiões, sobre conflitos e formas de os resolver.

“A educação de adultos também abrange a cidadania activa e a criação de condições que permitam a culturas diferentes viver e agir em conjunto. Neste sentido, a nossa companhia faz parte da educação de adultos”, afirma Lise Orskov, membro de “Opgang2”.
Ambas as companhias utilizam o humor e a ironia nas suas peças, o que é provavelmente um “truque” pedagógico tipicamente dinamarquês. Lise sublinha: “O humor consegue desarmar e, assim, levar as pessoas a ouvir, desde que não ridicularize pessoas ou culturas. Quando fazemos as pessoas rir juntas, criamos novos espaços de convergência”.

Em Kolding, Helle Rasmussen pretende pedir à DOF e ao “Odsherred Teater” que organizem espectáculos em locais de trabalho municipais e privados. “Desta forma, associações de educação de adultos, teatro e saúde pública vão poder trabalhar em conjunto”, diz ela. Entretanto, “Opgang2” continua a apresentar “Em nome do amor”, enquanto prepara novas peças. Conclui Lise Orskov: “Para voar alto, direi que pretendemos ser um teatro ao serviço de uma democracia multicolor e globalmente orientada.”

Michael Voss, in http://www.infonet-ae.eu  

 
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