Estreia do filme Vida Activa PDF Imprimir e-mail
08-May-2014
O filme Vida Activa acompanha as histórias daqueles que ficaram no desemprego ou pretendiam melhorar as suas condições de vida e de trabalho e que recorriam ao Centro de Novas Oportunidades (entretanto encerrado) do Centro de Formação Profissional de Alverca. Mas quis o acaso que a realizadora Susana Nobre rodasse o seu documentário no exacto momento em que Portugal sucumbia à crise económica. O que começou como um filme sobre as mecânicas de uma estrutura social de apoio tornou-se, então, um retrato "por dentro" dos efeitos práticos da crise nas vidas quotidianas daqueles que mais a sentem na pele
Vida Activa está em exibição a partir de hoje (8 de Maio) na sala 2 do Cinema City em Alvalade com debates sempre após a sessão das 21:30 com a presença da realizadora e de outros convidados.

Realizado nos cinco anos em que a realizadora trabalhou como profissional de reconhecimento e validação de competências no Centro Novas Oportunidades em Alverca, tem como pano de fundo a realidade portuguesa dos últimos quarenta anos. Entre 2006 e 2010, houve mais de um milhão inscritos no programa Novas Oportunidades e foram mais de 400 mil as certificações atribuídas. Susana Nobre foi ouvinte das histórias de vida das pessoas que recorreram ao programa, construindo um filme sobre a influência do trabalho nas experiências de vida.


Sinopse
O programa Novas Oportunidades foi um programa de educação com uma vertente baseada no reconhecimento e certificação escolar das aprendizagens realizadas fora da escola. Nestas sessões, homens e mulheres pensam e discursam sobre a sua trajetória de vida, as condições que determinaram a sua existência e a sua dificuldade em existir. Falam da sua formação, da sua experiência profissional, das suas origens, produzindo uma pluralidade de pontos de vista sobre a escola, a cidade, o campo, a família, o mundo operário e o universo do emprego. Partindo das histórias de vida dos protagonistas, o filme desloca-se para uma abordagem ensaística sobre o trabalho no mundo contemporâneo

Trailer do Filme Vida Activa 

Biografia da realizadora Susana Nobre 
Em 1998 termina a licenciatura em Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. Colaborou na formação do Laboratório de Criação Cinematográfica da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas onde participou em diversas produções de vídeos de arte encomendados pela Fundação Calouste Gulbenkian. Desenvolveu com a produtora Raiva um Ateliê Sénior de Cinema com apoio financeiro do ICA em 2004. Frequentou no verão de 2005, no âmbito do Programa de Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian, o curso de Realização de Cinema com a colaboração da The London Film School. Lecionou a cadeira de Realização Cinematográfica na Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha em 2010. Realizou os filmes As Nadadoras em 2001, O que pode um rosto em 2003, Estados da Matéria em 2006 e Lisboa-Província em 2010, todos eles presentes em diversos festivais nacionais e internacionais. Pertence à produtora TERRATREME desde 2006, onde se encontra a coordenar a série documental No trilho dos naturalistas - As missões botânicas em África.

Sessões com debate no Cinema City Alvalade
Sempre após a sessão das 21:30 com a presença da Realizadora

8 de Maio (ESTREIA quinta-feira)
Manuel Carvalho da Silva (Sindicalista e Sociólogo).

9 de Maio (sexta-feira)
Luís Capucha (Sociólogo, antigo Presidente da ANQ, agência interministerial que geria o programa Novas Oportunidades).
Adelino Gomes (Sociólogo e jornalista, escreveu um amplo artigo na revista Pública sobre o programa das Novas Oportunidades).
Isabel Lopes (Protagonista).
Isabel Magalhães (Protagonista).

10 de Maio (sábado)
José Castro Caldas (Economista).
Joaquim Almeida (Protagonista).

11 de Maio (domingo)
José Neves (Historiador).
Nuno Domingos (Sociólogo)

Vida Activa
Título original:Vida Activa
De:Susana Nobre
Género:Documentário
Classificação:M/12
Outros dados:POR, 2013, Cores, 92 min. 

Sessões
Cinema City Alvalade
Av. de Roma, nº 100 1049-15 
Sala: Sala 2
Sessões: 5ª 6ª Sáb. Dom 2ª 3ª 4ª 15h30, 19h30, 21h30
Telefone para Marcações: 218413040
Mais informações
Marcações para grupos: 92 903 50 56 
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Crítica no jornal Público no suplemento Ípsilon por: Luís Miguel Oliveira
Vida Activa: título a retinir tanta justeza como ironia triste. É um dos primeiros filmes portugueses a trazer um eco da “crise” que vai “acabar” a 17 de Maio.
Vida Activa parte de uma experiência da realizadora, Susana Nobre, que durante alguns anos trabalhou num centro de formação profissional do programa Novas Oportunidades (entretanto extinto, certamente por más razões). Com uma câmara video montada na secretária e o acordo dos entrevistados, gravou conversas e depoimentos, autênticas “biografias profissionais” de um rol de gente que, estando agora desempregada, tinha uma vida de trabalho atrás dela. Só mais tarde, e já depois de desactivado (em 2012) o próprio centro em que trabalhou, é que Susana pegou neste material para lhe dar forma de filme, a que veio a chamar Vida Activa, título a retinir tanta justeza como uma espécie de ironia triste.

Este material gravado no cento ocupa parte essencial do filme, antes de, na parte final, a realizadora abrir para algumas cenas registadas noutro contexto, com outro tempo e outra respiração, que fazem deslizar o âmago do filme, incorporando no seu retrato laboral uma evocação do desmantelamento progressivo da indústria portuguesa a partir de casos concretos na região de Alverca (onde estava o centro em que Susana trabalhou). Apesar do interesse desta última questão, ou precisamente pelo seu interesse, isto traz problemas de estrutura a Vida Activa, que acaba quando parece estar pronto a gerar outro filme, apreensível, por exemplo, pela quantidade de material documental e iconográfico (fotos, certificados profissionais, etc) que nesse segmento final é apresentado, e que se fica com vontade de ver a respirar melhor.
 
Não obstante, um desses momentos ilumina um dos possíveis modos de ver Vida Activa: é quando a montagem de uma sucessão de documentos e licenças profissionais conjura à nossa frente um mundo laboral que deixou de existir, a partir da designação de uma série de profissões que ou já não existem ou já poucos saberão precisar em que consistem. Mais do que a questão do “emprego”, Vida Activa evoca a questão da profissão, do “mister”, de um conjunto de saberes específicos necessários à execução de determinada tarefa, da “técnica” como se dizia num filme de Ana Hatherly logo a seguir ao 25 de Abril. Ouve-se um cortador de carnes (“uma arte linda”) lamentar-se: já que não lhe dão emprego, podiam ao menos pô-lo a formar jovens cortadores de carnes. O porquê disso não acontecer é dado noutra conversa, por um ex-operário resignado: dantes tinha-se emprego “para a vida”, agora é para “ano e meio, dois anos”; para quê investir, portanto, se a precarização do emprego implica necessariamente a desvalorização da profissão.
Dentro dos limites que lhe apontámos acima, e sem estar à altura do melhor filme da realizadora (o metodologicamente wisemaneano O Que Pode um Rosto), merece bem a atenção que se lhe dê, pela reflexão que contém e que suscita, e pela força documental dos registos que apresenta, expostos com a inteligência e a secura necessárias para que não se lhes queime a espontaneidade e a relevância. Além do mais, é certamente um dos primeiros filmes portugueses a trazer um eco, nada abstracto, da “crise” que vai “acabar” a 17 de Maio.
 

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Em breve divulgaremos o programa, mas convidamos desde já todos os nossos associados, amigos e colaboradores a estarem presentes nos debates que se iniciam no dia 29 de Outubro e na festa e jantar no dia 2 de Novembro.

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