A leitura e a escrita fazem bem à saúde PDF Imprimir e-mail
22-Apr-2014
Nos últimos anos muitos estudos científicos confirmam que a leitura e a escrita são essenciais para a saúde (mental, social) de todos: crianças, jovens e adultos. Se lermos e escrevermos mais, seremos mais felizes, mais seguros, mais inteligentes, mais cultos, mais elegantes; pensaremos e dormiremos melhor, relacionar-nos-emos melhor com os outros, viveremos mais e teremos uma velhice mais agradável, podendo-se até evitar doenças.
A UNESCO instituiu o dia 23 de abril como o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, em virtude de neste dia se assinalar o falecimento de vários escritores – Cervantes, Shakespeare e do escritor catalão, Josep Pla.

Ler torna-o mais inteligente? 
Dan Hurley, num artigo publicado em The Guardian, a 23 Janeiro de 2014, afirma que há evidências de que a leitura pode melhorar os níveis das três categorias principais de inteligência. “Acredito que a minha descoberta do Homem-Aranha e outras histórias de banda desenhada me transformou num excelente aluno.

Quando tinha oito anos, ainda não sabia ler. Lembro-me da minha professora, a Sra. Browning, se dirigir até à minha carteira e pedir-me para ler algumas frases de um livro Charles Dickens ou Jane Austen. Ela apontou para uma palavra. "Tuh-hee," disse eu, tentando pronunciá-la. "The", disse ela, corrigindo-me, e foi quando se fez luz – foi o momento em que aprendi a ler a palavra "the". 
Tendo crescido nos anos sessenta em Teaneck, New Jersey, eu era o que a Sra. Browning chamava de "lento". Durante uma reunião de pais e professores, ela disse à minha mãe: "O Daniel é um aluno lento". Durante o almoço sentei-me no ginásio com – perdoem-me a expressão – as crianças idiotas. Durante as aulas de leitura e matemática fui colocado no grupo deles, no "grupo lento".

E, depois, um ano mais tarde, fui salvo pelo Homem-Aranha. O meu melhor amigo Dan, que lia capítulos de livros desde o jardim-de-infância, tinha começado a ler o Homem-Aranha e outras bandas desenhadas com um outro rapaz e, juntos, começaram a desenhar e a escrever as suas próprias histórias aos quadradinhos. Em resposta ao rapto do meu melhor amigo por este repugnante intruso, eu comecei também a ler banda desenhada e, de seguida, comecei a escrevinhar e a rabiscar as minhas próprias histórias. Rapidamente, Dan e eu passávamos as tardes, felizes, à volta das nossas obras-primas, e nunca mais se ouviu falar do intruso.
 
Aos 11 anos, comecei a ser um aluno excelente. Mais tarde, na minha adolescência, fiz a admissão a uma faculdade nos EUA, e tive o equivalente a 136 num um teste de QI. Mas então o que é teria acontecido? Será que a Sra. Browning estava certa – quando tinha oito anos eu era realmente "lento" – e tornei-me mais inteligente porque mergulhei na leitura e na escrita de histórias aos quadradinhos?
Passei três anos, em parte para responder a essa pergunta, a entrevistar psicólogos e neurocientistas de todo o mundo, revendo os seus estudos e testando novos métodos que afirmam que se pode aumentar a inteligência. E, embora ninguém chame à leitura um método "novo" para melhorar a mente, estudos científicos recentes confirmaram que a leitura e a inteligência têm uma relação tão próxima que se pode considerar simbiótica.

Isso vale para os três significados da palavra "inteligência" amplamente reconhecidos pelos psicólogos. Primeiro, há a "inteligência cristalizada" – o pot-pourri de conhecimento que enche o seu cérebro. Quando se aprende a andar de bicicleta, ou o nome de um novo amigo, está-se a adquirir não só informações, mas conhecimento potencialmente útil que, no seu conjunto, forma a espinha dorsal de sua capacidade de navegar e progredir no mundo. A leitura ao ser acrescentada a esse armazém, aumenta sua inteligência cristalizada. Isso explica porque é que alguns testes de QI incluem palavras do vocabulário, que geralmente servem como um indicador confiável de quão inteligente você é.
Mas todos nós conhecemos pessoas que não deixam de ser espertos e perspicazes, mesmo com pouco "conhecimento dos livros". "A inteligência fluida" é a capacidade de resolver problemas, compreender coisas e detetar padrões significativos. Claro que se pode ler pouco ou nada e mesmo assim ser brilhante em " ler nas entrelinhas" de uma conversa. Mas no mundo de hoje, a inteligência fluida e a leitura geralmente andam de mãos dadas. Na verdade, a ênfase cada vez maior que é dada nas escolas às competências de leitura crítica e da escrita, pode explicar, em parte, por que é que os alunos têm, em média, aproximadamente mais 20 pontos em testes de QI do que no início do século 20. É o chamado efeito Flynn, assim nomeado após James Flynn, um professor da Nova Zelândia ter dedicado grande parte de sua carreira ao estudo do fenómeno mundial do aumento das pontuações de QI. Mas se a leitura pode melhorar a inteligência fluida, o inverso também é verdadeiro: o aumento da inteligência fluida também melhora a compreensão da leitura, de acordo com estudos realizados por Jason Chein, da Universidade de Temple, na Filadélfia. Em artigos publicados em revistas científicas em 2010 e 2011 mostrou como adultos, tanto jovens como mais velhos, se tornavam mais capazes de compreender materiais de leitura à medida que melhoravam o seu desempenho em tarefas de memória de trabalho.

Um terceiro tipo de inteligência tem ganho interesse nos últimos tempos: a "inteligência emocional", a capacidade de ler e responder de forma adequada aos seus próprios sentimentos e aos dos outros . Pode parecer estranho imaginar que a leitura pode melhorar a sua inteligência emocional. Mas, em outubro, a revista Science publicou um estudo extraordinário mostrando que a leitura de ficção literária pode melhorar a teoria da mente (ToM) das pessoas – a sua capacidade de entender os estados mentais dos outros. David Comer Kidd e Emanuele Castano, ambos da New School for Social Research, em Nova Iorque, mostraram em cinco experiências, que a leitura de ficção literária conduzia a um melhor desempenho em testes tanto da ToM cognitiva como da emocional, do que a leitura de não-ficção, de ficção popular ou de nenhuma leitura.
Exemplos da ficção literária que se reconhece que podem contribuir para aumentarem a teoria da mente (ToM):”Camaleão” de Anton Chekhov, “O Corredo” de Don DeLillo, e “A Mulher do Tigre” por Téa Obreht. O estudo, no entanto, tinha uma falha gritante: não conseguiu medir o impacto extraordinário do Homem-Aranha desse grande génio literário, que é o Stan Lee.

Dan Hurley é um jornalista premiado especialista em ciências de que o artigo "como se pode tornar mais inteligente?" publicado em 2012 no New York Times Magazine, foi um dos artigos mais lidos da revista nesse ano.
» Sem Comentários
Não existem comentários disponíveis.
» Submeter Comentário
Email (o endereço de email não irá ser publicado)
Nome
Título
Comentários
 caracteres restantes
Captcha Image Regenerate code when it's unreadable
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

 

 arvore.jpg

Celebrar os 10 Anos da Direito de Aprender

A Associação O Direito de Aprender vai fazer 10 anos na semana de 29 de Outubro (terça-feira) a 2 de Nov. (sábado) e vamos festejar esta data, com debates, animações e um jantar que irão decorrer no Palácio de Pombal - Rua do Século, Nº 79 em Lisboa no âmbito da instalação “Sala da Nação – Embaixada de Terra Nenhuma” da exposição “A Realidade e outras Ficções”, que é uma das exposições nucleares da Trienal de Arquitetura de Lisboa.

Em breve divulgaremos o programa, mas convidamos desde já todos os nossos associados, amigos e colaboradores a estarem presentes nos debates que se iniciam no dia 29 de Outubro e na festa e jantar no dia 2 de Novembro.

E tragam outros amigos também!

Semana Aprender ao Longo da Vida

Encontro

Actividades Locais

Prémio

Revista Aprender
Faça-se Sócio
Assine a Revista
Opinião
Desinteresse, desapego e desvalorização da Educação de Adultos em Portugal"
Paula Guimarães

Paula GuimarãesRecentemente foi divulgada uma proposta de Portaria que extingue os Centros Novas Oportunidades e promete a criação dos Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional. Neste artigo de Opinião, Paula Guimarães considera que “é um documento que acentua algumas ideias (questionáveis) que já eram importantes nas Novas Oportunidades, com a ‘qualificação, enquanto aposta estratégica do país’. Todavia, claramente aponta outros caminhos, embora estes pareçam não conduzir a algum lado relevante para a educação de adultos”.
Ler mais...
Agenda

Jornadas Internacionales de Educación Popular
Vão decorrer de 20 a 22 de Junho em Pinar de la Dinamita, Sanlucar de Barrameda, Cádiz, as Jornadas Internacionales de Educación Popular.
Ler mais...

Mudanças Locais, Acções Sociais e Educação de Adultos: Desafios e Respostas
Vai decorrer no Instituto de Educação da Universidade da Lisboa nos dias 26, 27 e 28 de junho de 2014 o seminário “Mudanças Locais, Acções Sociais e Educação de Adultos: Desafios e Respostas“ que é uma iniciativa conjunta entre a  European Society for Research on the education of Adults (ESREA), através da rede Global and Local: Adult learning and Development, e o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e terá como idioma preferencial o inglês.
A submissão de resumos é até o dia 31 de janeiro de 2014.

Ler mais...
Livros
Subsídios Breves para o Debate de Princípios e Valores na Formação Política do(a) Educador(a) Socia
Rosanna Barros

Subsídios Breves para o Debate de Princípios e Valores na Formação Política do(a) Educador(a) Social

Ler mais...
Newsletter






© 2014 O Direito de Aprender