Dossier sobre a Saúde numa
perspectiva da aprendizagem ao longo da vida:
• O médico ANTÓNIO
CARDOSO FERREIRA (texto completo) fala-nos
da sua larga experiência de promoção
da saúde e mostra como a visão do “aprender” tem
de ser muito mais larga do que a que advém da leitura
de livros. Passa necessariamente por conscientizar, corporizar,
saborear, sonhar, criar, aceitar limites e construir mudanças
em interacção com os outros e com o ambiente que
nos rodeia, avaliando e reformulando os passos que damos.
• Berta Nunes, médica e antropóloga, escreve sobre
o papel que a medicina popular pode desempenhar no tratamento
de uma doença. Diz-nos que nas sociedades ocidentais,
a biomedicina, ou medicina científica, faz parte da cultura
dominante e pretende impor a toda a sociedade o seu paradigma
(modelo teórico) sobre a saúde, a doença
e o corpo, enquanto que na tradição “popular”,
em Portugal, o corpo, a saúde e a doença incluem-se
num modelo mais abrangente que considera os aspectos psicológicos,
sociais e culturais como causas das doenças e do sofrimento
humano.
• O economista Rogério Roque Amaro, analisa as novas formulações
de Saúde e Desenvolvimento, que se têm proposto
nos últimos 30 anos. A Saúde não é apenas
a “ausência de doença”, no sentido em
que uma população saudável (entenda-se “sem
doenças”) é mais produtiva e pode ser melhor
rentabilizada, mas como um processo integrado, que tem em conta
várias dimensões (físicas e psíquicas)
e outras vertentes e sistemas de bem-estar, ligando-a às
componentes económicas, sociais, ambientais, políticas
e culturais em que este se exprime.
Duas reportagens:
Visitámos dois Centros de Saúde da
margem sul de Lisboa – Moita e Palmela - e apercebemo-nos
do trabalho que estes centros fazem na área da saúde
pública.
Na Moita, uma Unidade Móvel desloca-se a pequenas povoações
e faz o atendimento semanal à população, predominantemente
idosa.
Igualmente com idosos, o projecto “Convivências/Envelhecer
com Projecto” reúne três vezes por semana para
conversar, passear, serem massajados, programar actividades.
Em Palmela já se formaram 160 funcionárias de cantinas
de escolas, jardins-de-infância e IPSS’s.
Em Idanha-a-Nova, visitámos uma exploração
agrícola
e falámos com técnicos agrícolas que receberam
formação. Por se encontrarem muito dispersos fisicamente,
essa formação, em grande parte,
foi online.
E ainda os seguintes artigos:
2005 é o Ano Europeu da Cidadania pela Educação,
e MARIA EMÍLIA BREDERODE SANTOS
(texto completo) escreve
o primeiro dos artigos de diversos autores sobre este tema que
a nossa revista irá abordar
ao longo deste ano. Intitulado Formação para a cidadania
numa perspectiva ao Longo da Vida, o artigo considera que a Educação
para os Direitos Humanos assenta num princípio básico
fundamental: a igual dignidade de todos os seres humanos. Ora a
compreensão deste princípio e das suas implicações,
tanto na vida quotidiana como no plano abstracto, não é uma
aprendizagem evidente, nem espontânea, nem simples.
Entrevista com o Professor Budd Hall, director
da Faculdade de Educação da Universidade de Victoria, no Canadá,
e que tem um extenso currículo em educação
de adultos. Tem estado ligado às dimensões de aprendizagem
das mudanças sociais durante grande parte da sua vida, mas,
como ele mesmo diz, tudo o que aprendeu foi fora das Universidades.
Este homem que viveu vários anos na Tanzânia fala-nos
da sua experiência e da importância de pessoas na sua
vida como Nyerere, Paulo Freire, Orlando Fals Borda e Marja Liisa
Swantz, entre outros.
Nos anos 70, o Austríaco IVAN
ILLICH (texto completo) era
muito lido e discutido. As suas obras influenciavam todos os que
queriam pensar a escola e problematizar a Educação.
Hoje está quase
completamente esquecido e, no entanto, as suas ideias são,
em muitos aspectos, mais actuais do que nunca.
Para uma conversa sobre o legado e actualidade de Ivan Illich,
reunimos os Professores Rui Canário, da Faculdade de Psicologia
e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa,
e Olga Pombo, da Faculdade de Ciências da mesma Universidade.
A situação da Educação
de Adultos em Portugal é abordada em dois artigos. No primeiro,
ALBERTO MELO (texto
completo) afirma
que a sociedade portuguesa necessita de um forte movimento social
que, mobilizando múltiplos e diversos
quadrantes, privados e públicos, locais ou regionais, permita
pressionar no sentido de um contexto cultural, legal e organizacional
mais propício à educação de todos e à cidadania
activa e participativa.
No segundo, Paula Guimarães analisa o papel que a Unidade
de Educação de Adultos (UEA) da Universidade do Minho
tem procurado ter desde a sua criação em 1976 até hoje,
através da reflexão e da Intervenção
na área da Educação de Adultos em Portugal.
Reportagem sobre a rádio local de Pedrógão
Grande – Rádio Triangulo: O boom das rádios
locais registado em meados dos anos 80 foi explicado pela novidade
do veículo, a linguagem popular que utilizava e a atenção
dada a temas desprezados pelas rádios nacionais. Mas, como
todas as rádios locais, esta também enfrenta problemas
de sobrevivência apesar de cumprir o papel de garantir aos
habitantes da vila que o seu dia-a-dia pode ser notícia.
E ainda:
Livros, Internet e Notícias
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